Sábado, 18 de Julho de 2009

Casa no campo

Tulio longe das internets da vida.

Casa no campo.
Onde eu possa ver meus amigos.
Meus livros, meus discos.

E algo mais!

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Fim de semestre

Fins de semestre são sempre estranhos. Enigmáticos e nostálgicos. Cansativos e excitantes. Você agradece loucamente pelos momentos por que passou, as experiências que viveu, as pessoas que conheceu, a fase em que você está. O quanto você mudou, como é bom mudar e como a vida - e a USP - são um poço inesgotável de desafios. Que cabem a você encarar, decifrar e se deixar mudar.

E claro, olhar para trás e dizer: caramba!...

Ao mesmo tempo é tão nostálgico perceber que, sim, tudo passa rápido e jájá esses quatro aninhos e meio estarão no fim. Mas o melhor de tudo, apesar do cansaço, é poder pensar: semestre que vem tem mais. Mais pessoas, mais coisas pra viver, pensar, aprender. Mais mudanças pela frente, sempre.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Resposta

Minha resposta ao editorial de ontem da Folha de São Paulo, dia 2 de julho, sobre o fim da greve na USP:

USP

O “roteiro desgastado de sempre” das greves de funcionários, professores e estudantes da Universidade de São Paulo que o editorial do jornal Folha de São Paulo do dia 2 de julho aponta vai continuar sistematicamente se repetindo pelo simples fato de que na USP, assim como na sociedade brasileira como um todo, as raízes dos problemas – nesse caso, uma constituição estatuinte das mais anti-democráticas e uma estrutura de poder que mais lembra um papado – permanecem propositalmente intactas. Joga-se a sujeira para debaixo do tapete mais uma vez – para depois esse mesmo jornal voltar com seus “editoriais desgastados de sempre”, sem tocar no cerne principal das questões relativas à universidade.

Se desta vez a USP não passa por uma grave crise, eu lhes pergunto: é preciso uma crise para que se legitime o direito de enxergar problemas na universidade? O debate não encontra espaço na USP e as divergências, que deveriam ser celebradas, são encaradas como um problema – para a USP e para a sociedade como um todo. Há sim problemas crônicos na USP: não se permitir dar voz a quem quer se fazer ser ouvido. Se para a Folha, como foi dito no editorial, representatividade não é o “ponto principal”, então que não se julgue o uso do radicalismo como “principal instrumento de pressão” por funcionários e estudantes – a famigerada “minoria radical”. Um tanto quanto incoerente a posição do jornal.

É inadmissível que um punhado de professores titulares, que representam por volta de 1,5% da comunidade USP detenha mais de 75% das cadeiras do conselho universitário. É inadmissível que a escolha dos diretores de unidade tenha sua decisão final nas mãos da reitora. Democracia nunca é demais. Ou não deveria ser. E se o contribuinte mantenedor da USP é usado como desculpa para eleições diretas para reitor da USP não serem realizadas, caberia se levantar então a pergunta: até quando a USP será um feudo em que a maior parte dos contribuintes fica de fora em virtude das deprimentes condições do ensino público brasileiro? Isso sim é uma vergonha para o contribuinte que mantém a USP – e não eleições diretas para o cargo com máxima concentração de poder na maior universidade do Brasil.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Amanhã, ninguém sabe - Chico

Hoje, eu quero
Fazer o meu carnaval
Se o tempo passou, espero
Que ninguém me leve a mal
Mas se o samba quer que eu prossiga
Eu não contrario não
Com o samba eu não compro briga
Do samba eu não abro mão

Amanhã, ninguém sabe
Traga-me um violão
Antes que o amor acabe
Traga-me um violão
Traga-me um violão
Antes que o amor acabe

Hoje, nada
Me cala este violão
Eu faço uma batucada
Eu faço uma evoluçao
Quero ver a tristeza de parte
Quero ver o samba ferver
No corpo da porta-estandarte
Que o meu violão vai trazer

Amanhã ninguém sabe
Traga-me a morena
Antes que o amor acabe
Traga-me uma morena
Traga-me uma morena
Antes que o amor acabe

Hoje, pena
Seria esperar em vão
Eu já tenho uma morena
Eu já tenho um violão
Se o violão insistir, na certa
A morena ainda vem dançar
A roda fica aberta
E a banda vai passar

Amanhã, ninguém sabe
No peito de um cantador
Mais um canto sempre cabe
Eu quero cantar o amor
Eu quero cantar o amor
Antes que o amor acabe

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Dias ditosos

E do surto e do desespero eis que vem a luz; da onde tudo parece vir nesses dias intensos. No final de um dia longo, que mais pareceu arrastar-se por mais de um mês, eis que uma fagulha surge, se revela, se desinibe e se transforma em olhares apressados; cheios de significado. E de brilho. Esperança e apreensão. Idéias, acima de tudo.

-Ah, onde é que elas estavam?

Pois é, guardadas. Aqui dentro, esperando para serem soltas e, de fato, livres. Obrigado.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Desabafo




Porque tem horas que são difíceis. E você quase perde as esperanças. A desesperança é o pior sentimento do mundo. Você só quer deitar, ouvir uma música, olhar para o céu. Mas não dá. E é preciso continuar. Mesmo que você esteja contra a maré - ou que você acredite tanto em seus valores que se torne simplesmente impossível negá-los.

Sábado, 6 de Junho de 2009

Greve na USP

A príncipio não era favorável a uma greve de estudantes na ECA. Acreditava que os funcionários tinham todo o direito de lutar por melhores salários, por reajustes do índice de inflação, pela readmissão de seu líder máximo, Claudionor Brandão.

O dirigente do Sintusp foi supostamente demitido por justa causa, tendo a reitoria alegado reincidência processual. O primeiro processo contra Brandão foi fruto de uma intervenção do Sintusp na greve dos funcionários terceirizados da FAU - o que é considerado ilegal já que o Sintusp não poderia se envolver em uma greve de funcionários terceirizados - e de uma briga durante essa greve, na qual as duas únicas testemunhas ouvidas no processo misteriosamente não tiveram seus nomes divulgados e o próprio Brandão, cujo depoimento está no processo, contesta os fatos apresentados. O segundo processo diz respeito à participação do dirigente do Sintusp na ocupação da reitoria da USP em 2007, quando o motivo principal da greve de funcionários e estudantes eram os decretos então editados pelo governador José Serra que foram considerados prejudiciais à autonômia universitária. Até aí, tudo bem. Apóio a causa dos funcionários. Mas e eu, enquanto estudante e não enquanto pessoa, com isso?

Eis que a vaca foi para o brejo e a minha atuação enquanto estudante passa a ser necessária, a meu ver, quando a polícia militar, que não entrava no campus do Butantã da USP desde o governo Figueiredo, em 1979, passa a ser chamada para conter o piquete que os funcionários da USP realizavam em frente à reitoria. Muitos me disseram: " ah, Tulio, mas a reitora tem todo o direito legal de chamar a PM, os funcionários estavam impedindo aqueles que não aderiram à greve de trabalhar". E eu lhes pergunto: não seria melhor o diálogo com os funcionários em greve? Esse que foi interrompido horas antes da ocupação relampâgo da reitoria da USP na semana passada quando a reitora se negou a se reunir com o Fórum das Seis(que reúne professores, funcionários e alunos) porque Brandão, como líder do Sintusp, participaria da reunião? Esse que, possivelmente, poderia resolver a situação, que, mesmo - e de fato, piorada - com a presença da PM, ainda se estende?

Ou seja, a que fim a presença da PM, na Universidade de São Paulo, a maior universidade do Brasil e uma das maiores do mundo, se destina? A que ponto chegamos para que em um centro de excelência reconhecido mundo afora policiais precisem ser chamados para conter tensões entre categorias diferentes? Não importa se Brandão é gordo, magro, inteligente ou imbecil, assim como não importa se funcionários defendem o direito ao aborto ou uma campanha por melhores salários, o que me interessa pode ser definido do seguinte modo: a Universidade de São Paulo tem a obrigação de defender a livre expressão dos movimentos sociais e não é com PMs no campus que tal defesa será assegurada. Temos o privilégio de estarmos em um local onde o diálogo tem a obrigação de ser preservado.

Bem, isto posto, na segunda-feira, decidi ir à Assembléia dos estudantes da ECA para ficar a par da discussão sobre a entrada da PM. Foi então que tive o prazer - ou não - de conhecer a nova empreitada na área de educação do governo do Estado de São Paulo: a Universidade Virtual do Estado de São Paulo. O projeto, cujo epicentro conta com fabulosas sete páginas, foi estruturado sem a participação dos docentes da USP e nem foi aprovado sequer pelo Conselho de Graduação e, no entanto, com menos de um ano, está prestes a ser efetivado, com vestibular para agosto. Seu objetivo é a formação de professores para sanar a falta desses profissionais no país - que já alcança as centenas de milhares, segundo as últimas estimativas do MEC - através de um curso com 80% de aulas à distância, que, para utilizar o argumento do editorial da Folha de São Paulo do dia de hoje, faria com que "mais estudantes, com renda abaixo da média dos alunos da universidade, possam desfrutar dos serviços educacionais da USP".

E eu pergunto: como esses alunos poderão desfrutar dos "serviços educacionais da USP" à distância? Sem biblioteca, sem orientação ou garantias como restaurantes universitários ou moradia estudantil? Mais: como o problema quantitativo de professores de qualidade será solucionado se serão formados professores cujo centro de formação será efetuado sem a presença de um professor? Será que realmente a formação de professores a rodo é a melhor opção para um ensino público de qualidade? Ou deveríamos repensar salários e investimentos, sugerir atrativos para a profissão, impulsionar sua valorização, entre outras coisas? Onde estaria na formação desses professores o tripé da Universidade de São Paulo, "ensino, pesquisa e extensão"? Diversos países de fato adotam o ensino à distância, mas apenas como uma solução para a impossibilidade de se frequentar a sala de aula. Como uma ferramenta complementar à formação de qualidade em locais devidamente estruturados para a formação profissional.

Sou contra a Univesp nos moldes em que está sendo efetuada. E como aluno privilegiado de uma universidade para poucos, o mínimo que considero ter de fazer é repensar as maneiras como a educação pública desse país é encaminhada. Para fazer das palavras de uma garota da ciências sociais, minhas: " PM no campus e ensino a distância, em vez de ensino no campus e PM à distância, não é comigo". Dois bons motivos que, sempre particularmente, já me fazem crer que um choque de realidade é necessário para nos fazer questionar a realidade, debatê-la. A greve é uma quebra do cotidiano, incomoda. Mas passa longe de ser férias ou coisa de vagabundo.

Antes, é um espaço de debates e produção ativa que se abre e nos posiciona como elementos fundamentais dentro desse debate. E foram nesses últimos dias que me dei conta do poder que temos e do quão é importante e necessário pararmos e pensarmos, ativamente, no futuro da universidade que queremos. Porque democracia é isso. E não reclamam tanto que a sociedade brasileira é anestesiada? Pois é, ainda há redutos que produzem vibrações que incomodam. Ou, para citar o mesmo editorial, ainda existem "moinhos de ventos" neste país.