quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Coco Avant Chanel



Gabrielle Coco Chanel não precisou de homens. Preferia ser amante a cumprir o papel de coadjuvante atrás da sombra de um marido - no começo do século XX, não eram muitas as opções disponíveis. Coco sabia na medida certa quando sair de cena sem se machucar. Sabia na medida certa o que esperar de alguém. Mais: o que esperar de si mesma.

Conduziu sua vida da amargura da miséria ao auge da fama com a sobriedade de seus modelos, sem deixar-se levar por ilusões que lhe pudessem valer seu prazer e inteligência em posicionar-se e produzir.

É essa mulher a frente de seu tempo, na aparência e na essência, que o filme "Coco antes de Chanel" pretende mostrar. E consegue, mesmo com a fraqueza da esperada perfomance de Audrey Tautou no papel da protagonista.

O título, talvez, indique com clareza o traço mais forte que o longa imprime ao espectador: antes da magnata Chanel, existiu Coco, que enfrentou grandes dificuldades, sofreu, começou do zero, mas sempre brilhou, na profundidade de suas percepções, de seu tino e da convicção em seus valores e ideais.

sábado, 7 de novembro de 2009

Zeitgeist



Zeitgeist ou "espírito do tempo".

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

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Duas figuras que vou usar pra um seminário amanhã, de História de Jornalismo. Uma loucura, cara...A primeira é uma das fiéis que participou da famosa "Marcha da família com Deus pela Liberdade", antes do golpe de 64. A segunda é a foto de um grupo de mulheres cujo slogan era: "Vermelho bom, só o batom"...Por aí já é possível entender muita coisa...

Enfim, mulheres servindo de massa de manobra, lutando contra aquilo que exatamente diziam-se a favor. E a religião mais uma vez mostrando sua faceta mais perversa.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Das coisas que pensei em escrever

Pensei em escrever tantas coisas durante a semana...

Tudo começou no meu café da manhã quando olhei a capa do jornal. Que cena mais nauseante, humilhante, animalesca, doída.

Chocante.

"Um homem é achado morto em um carrinho de supermercado". Assim.

O sujeito se levanta, bem cedo, se arruma, pega seu dinheirinho contado, vai ao supermercado. Na porta, não dá de cara com a promoção do dia, tipo "lagarto 3,90 o kg!". Ao contrário, dá de cara com um homem, de seus aparentes quase quarenta anos, a julgar pela foto, morto a tiros, dentro de um carrinho de supermercado.

Nas explicações sobre a morte: confronto com traficantes. Saldo de mortos de três policiais militares, três moradores do Morro dos Macacos, local onde os confrontos ocorreram e dezenove suspeitos de envolvimento com o crime. Vitória! Menos policiais mortos do que potenciais criminosos.

Deveremos mediar o sucesso de acordo com os números de mortos de cada lado? Sabe, até quando essa hipocrisia vai durar? Sem mais.

...

Pensei em escrever também sobre comunicações e artes. E os embates que travo dentro de mim ao conviver com esses dois mundos. E com esse espaço que nos separa. Com essa realidade e com essa utopia que nos separa. Às vezes esses dois mundos se cruzam e, aí, sempre é tudo muito estranho. Sinto como se fosse impossível um diálogo de fato. Uma comunhão. Na correria dos encontros, é sempre o que nos separa que se evidencia. Como um rio e suas margens. Esse espaço, esse espaço entre a vivência e o canil, como se todos os jornalistas fossem para a Globo e todos os artistas fossem encenar Brecht. É o que sinto, às vezes. Mas que sei que não é a realidade.

...

Pensei em escrever sobre uma tarde chuvosa, pós uma festa intensa. Sobre andar segurando o guarda-chuva nas ruas molhadas de São Paulo, em seu frio desproposital de outubro. Sobre estar com blusa de lã e adentrar um daqueles prédios antigos, cinza, com piso quase amarelado de manchinhas pretas, com grades verde-escuro e elevador velho. Sobre uma república desorganizada, muitos livros em uma estante, pinturas meio infantis a decorar a sala; copos sujos sobre a mesa. Cadeiras espalhadas, um banheiro estudantil aonde algum tipo de luxo já existira, previsto na forma de uma banheira. Pensei em escrever sobre estar ali, com aquelas pessoas, que certamente posso imaginar daqui uns vinte anos e estar feliz, desde já, por ter feito parte daquilo. Penso em um filme: câmera na mão, muitos cortes rápidos, personagens diversas. É interessante e é agora. É uma espécie de embrião, de nostalgia não vivida, que toma forma. É também, aconchegante e fria, São Paulo.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Leveza



Avedon, por sua leveza.

domingo, 11 de outubro de 2009

Cor local


Há pessoas que florescem e há pessoas que desbotam. Há lugares que nunca mudam. Acima de tudo, há situações que parecem ultrapassar os séculos. Como o calor. As mulheres em seus devidos lugares; os homens e seus assuntos. O reacionário e o piegas. A ignorância e a insolência. As relações estabelecidas. As cartas marcadas. O inesgotável velho revestido de novo - nas formas de carros, roupas, salto altos.

Houve um tempo em que existira o nós. Em que existiram as possibilidades de mudanças, os sonhos, os sentimentos, a paixão. Agora não haviam sequer olhares. Triste? Frustrante. Não que se esperasse que as coisas voltassem a ser como antes depois do antes ter sido posto no purgatório. Mas, era como já dizia sua mãe: a pior coisa do mundo é frustar-se com as pessoas. É quando a graça chega ao fim, quando a paciência impõe limites, quando a consideração deixa de ser prazerosa e se torna um pesar.

Quando os olhares, que se cruzavam incessantemente e, ainda traduzindo o de sempre, o velho conhecimento insuperável, entram no jogo de aparências dominante. Aí, tudo está perdido. Porque o nós, que ainda existia involuntariamente, é posto em prova, de uma vez por todas e, por mais que tudo não precise fazer sentido, as feridas estão abertas.

Certas competições, maneirismos e imaturidades já não fazem mais sentido. Certas ambiguidades não cabem mais. É quando tudo parece derreter e o que sobra é você e suas certezas, afinal, por mais que doa ou que clame saudades, nada é definitivo. Ou, em outras palavras, tudo é subjetivo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Foram tantas perguntas...E havia tão poucas respostas. Perguntas básicas, inusitadas:

-Você é feliz quando acorda?

Não soube o que responder. Tenho sono. Seria óbvio. Na verdade, mal acordo e já começo a pensar no que tenho que fazer. Ou, nos dias mais graves, no que deixei de fazer. E na consciência, que agora pesa.

Foi estranho. Mas divertido. Perguntas inusitadas sempre nos levam a reflexões inusitadas. Que quebram com a sua rotina. Com a sua correria. Ou com a sua insensatez. O seu não apego aos detalhes - eles, que são tão importantes.

Tenho sono agora. E há ainda muito o que fazer. Mas talvez sejam essas perguntas aquelas que nos deixam mais a vontade: nos põe de volta ao controle das coisas.