segunda-feira, 14 de abril de 2008

Texto pra J.Junior- "Greve 2008"

Ao sabor do V Congresso

O ano de 2008 na Universidade de São Paulo promete ser agitado.É o que apostam os estudantes membros dos Centros Acadêmicos e participantes do movimento estudantil da maior universidade do país.Após anos sem muita expressão, o movimento estudantil ressurge com força e engajamento em suas propostas para esse ano, dentre elas o V Congresso da USP, uma das conquistas da ocupação da reitoria da USP ocorrida em maio do ano passado.

O V Congresso contará com a participação de professores, funcionários e estudantes e terá a democracia na universidade como pauta principal, questionando a estrutura de poder autoritária da Universidade de São Paulo, e propondo uma reelaboração do Estatuto da USP- um dos mais conservadores do país.A base da discussão não surgiu ocasionalmente.

No ano passado, após a publicação de dois decretos estabelecendo, entre outras medidas, a criação de uma Secretária Estadual de Ensino Superior, responsável por controlar a gestão dos recursos financeiros das universidades estaduais paulistas, aumentando portanto o controle do governo sobre as universidades, além da proibição da contratação de professores e funcionários pelas universidades, o governador José Serra viu-se diante de uma retomada histórica do movimento estudantil- o que não se restringiu somente ao estado de São Paulo, é importante ressaltar.

Sob o lema da defesa da autonomia universitária, a reação estudantil tomou forma com a greve das estaduais paulistas- USP, Unesp e Unicamp- e teve como ápice a ocupação da reitoria da USP, da Unicamp e de vários campi da Unesp.A greve durou pouco mais de um mês e teve seu fim após o recuo do governador e o revogamento dos decretos.

Daí surgiu a idéia do V Congresso da USP, após garantida a autonomia universitária, seria pertinente questionar quem poderia usufruí-la.O congresso se estrutura sobre alguns eixos principais: estrutura de poder na universidade, acesso e permanência, financiamento e fundação e espaços estudantis.O último tema, talvez um dos mais próximos aos estudantes, tratará das reformas nos atuais espaços estudantis propostas pela reitoria e pelos departamentos.No fim do ano passado, durante o período de férias, Gabriel Cohn, diretor da FFLCH- faculdade de filosofia, letras e ciências humanas da USP- construiu uma lage de concreto fechando a entrada do 'porão', tradicional ambiente estudantil de debates, filmes e festas, causando muita polêmica e repudio em meio aos estudantes, que por fim acabaram por quebrar a lage, retomando suas atividades.Outro caso parecido acontece na Escola de Comunicações e Artes(ECA), onde uma possível reforma poderia acabar com a 'prainha' e a 'vivência' dois dos espaços mais frequentados pelos estudantes e esta última, sede da Atlética e do Centro Acadêmico Lupe Cotrim(CALC).

Quando questionados sobre a possibilidade de uma nova greve para esse ano, membros do CALC disseram ser impossível dar uma resposta definitiva, já que tudo dependerá dos resultados do V Congresso, além das posições da Adusp(Associação dos docentes da USP) e do Sintusp(Sindicato dos trabalhadores da USP).Mas deixam claro que a paralisação é a última alternativa, já que novas formas de protesto, como debates e palestras, privilegiando a discussão teórica sobre o papel da universidade atualmente e a introdução dos estudantes ao universo da discussão e da conscientização política, social e de cidadania, serão privilegiados.

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