domingo, 4 de maio de 2008

A big part of me

Tam, tam, tam, tam. Batia a sola do tenis contra o piso liso e concentrava-se no barulho enquanto esperava. Não sabia como se portar. Sorrisos forçados eram esboçados, como que num treino, e a luz da manhã esbanjava o seu calor no saguão de entrada do shopping prometendo um dia quente.

Avistou-lhe de longe. O mesmo sorriso, o mesmo vício - um café com cigarro - o mesmo andar apressado. Sentiu-se em casa novamente. O cheiro do passado recente e as memórias em conjunto lhe invadiram os pensamentos e lá ficaram durante todo o encontro. Falou durante horas, o outro ouvia-o com atenção. Alternavam-se sedentos.

Enquanto o ouvia, lembrou de muitas coisas. Das pessoas com quem conviviam diariamente, do frio, dos cafés expressos, da correria semanal, de seu desespero em determinados momentos. Da sua rotina pesada, de seus horários marcados, de sua grande paixão. Das palavras de ajuda. Das risadas e dos segredos contados em inglês. Dos sábados. Nada poderia ser mais remarkable...Sentiu saudades de um tempo que não voltaria mais. É, não voltaria mesmo. Passado e presente alternavam-se em seus pensamentos mecanicamente, como que numa sucessão de cartas de um baralho onde cada número lembrava o anterior e o próximo.

As novidades eram muitas! Conheceram pessoas, passaram por provas, foram felizes...sentiram saudades. Concordaram que seis meses eram de fato tudo e nada ao mesmo tempo. O tempo passaria rápido e esse encontro teria de ser muito bem aproveitado, caso contrário, só daqui a outros seis meses. Desabafaram sucintamente. Cada qual tinha mudado muito, isso não era de se negar, mas as afinidades que lhe mantinham amigos eram agora muito maiores e mais nítidas. Sem censuras, com compreensão e um olhar afável, comemoraram vitórias e subestimaram derrotas.

-Ahh...porque temos que estar tão longe de quem gostamos, sempre?

A questão é: gostamos daqueles com quem nos identificamos. Sinto muito, ele disse, somos exploradores do mundo. A felicidade daquela tarde efêmera era mutúa e verdadeira. Éramos parte da história de um lugar. Estávamos em busca de novos desafios, mas valorizávamos o passado em comum. Era um lugar de força, calmo e tranquilo. Eterno. No último abraço, a certeza de um sentimento superior, puro e seguro, que nos ligaria em qualquer parte do mundo, tornava a vida compreensível e dona de um significado inestimável.

Não precisávamos de mais tempo.

-//-

Suddenly all the little tension experimented before disappeared.

-I'm sure you're gonna be happy!

I just asked myself why he was saying that. A big part of me could believe him easily. Or would like to believe him. Not because of his titles, or the amount of books he had published before with great success. But because he was being honest. He was an old man, certainly had dealt with a lot of people and situations in his life. He wouldn't say that for nothing. I stared at those green eyes strongly, and asked:

-Why are you so sure about it?

-Believe me, I know your kind.

That says it all. I couldn't disagree. The rain over my umbrella was starting to bother me. I look back and said:

-Thank you.

I laughed alone. That's a good sign.

9 comentários:

Mariana, perdida em si mesma disse...

ok. tomei vergonha na cara e em vez de estudar pra prova do ciro (ooops) vim ler os posts do seu blog. eu gosto de jeito como você escreve, das suas descrições. não dá pra escolher um preferido, os 3 textos (estou descontando o da J e o de inauguração) são muito bons de ler. gostei mesmo mesmo!ahhh. só pra dar uma de intrometida, quem é a pessoa homenageada no Homenagem?
*ahh, outro detalhe que gostei: segredos contados em inglês

Beijoooo
até amanhã, reunião da J(x)ota

Alice disse...

TULIO!

maravilhoso esse seu texto.
lindo.
sutil.
como um encontro ansiosamente esperado.

e eu entendi tudo.
beijos!

Xenya disse...

Quantas sensações em seus textos...ansiedade, felicidade, saudade...é a explosão de vida que toma conta da gente e deve tomar sempre, cada vez mais intensamente. É legal te acompanhar por aqui e sentir-me tão próxima de algumas sensações que você descreve. Tambpem tenho momentos assim e, as vezes, penso em como somo incrívelmente parecidos e, ao mesmo tempo, absurdamente diferentes. Saudades

Yuzo disse...

E como se não fosse suficiente, ele sintetiza quase que perfeitamente palavras em sentimento.

Bom pra caramba!!
É isso aí!!

abraço

Mário disse...

Túlio,
Vi sua página no orkut e me deu curiosidade em visitá-la.
Morrer de fome você não vai hein...além de ser um bom jogador de voley você escreve muito bem!
Abração,
Mário

Pedro Melo disse...

Túlio, parabéns cara, você escreve muito bem... - grande coisa eu estar falando isso... hehehe -mas é sério cara, você escreve muito bem mesmo, nem eu consigo escrever tão bem assim ,hehehe
Enfim,
Abraços

Marcelo Buosi disse...

Elogiar pra que por aqui, hein?

Fontes disse...

Sabe, acho que vai fazer um mês que eu visito esse blog todos os dias e nada de novidades. Você escreve bem, mas o público precisa de mais. E não venha me dizer que está sem inspiração, que isso é coisa de bobocas.

No aguardo,

Felipe Fontes

Clara disse...

Tulio!

Desistiu de escrever, foi??
Mas eu lhe entendo... são tantas coisas pra fazer o.O

Como o Fontes falou:
no aguardo!

bjuxx