quarta-feira, 23 de julho de 2008

Uma corrida

Andava pelo parque distraído. Ali, naquele lugar em que tantas vezes divagara sobre a vida, sobre seu futuro, seus sonhos, seus amigos, seus medos e seus amores. Engraçado voltar ali, andar ali, rever pessoas, sensações e momentos. Lembrar de suas corridas sozinho, em que aqueles poucos minutos eram como uma bigorna caindo do alto de um prédio: intensos, leves, renovadores. Fora um ano díficil aquele, sem dúvida.

Mas ótimo. Ele mudara tanto, em tão pouco tempo! Incrível. O vento, a certeza que a paisagem bonita exalava, o clamor dos passos apressados, o encontro com pessoas queridas, tudo lhe fazia feliz. Mas acima de tudo, era a sua personalidade o que mais lhe fazia bem. A fase em que se encontrava. Descobrindo tantas coisas, se livrando de tantas outras. Tantas amarras.

O passado não lhe metia mais medo. Muito pelo contrário: agora era sua vez de causar medo. De causar medo do tempo que passa rápido, das coisas que ficam para trás, de todos os segundos que não são bem aproveitados. Tinha sede. De vida, de bandas alternativas, de filmes clássicos, de músicas românticas, de peças desconhecidas, de atores e atrizes talentosos, de poesia e de bossa nova. De beijos perdidos. E de novos beijos a serem conquistados. De sorrisos e de momentos especiais.

-Tragam a água, o garoto acaba de correr!

3 comentários:

Alice disse...

sede!

Bruna disse...

"O passado não lhe metia mais medo. (...) Tinha sede. (...) De beijos perdidos. E de novos beijos a serem conquistados. De sorrisos e de momentos especiais."

Adorei! Posso guardar junto com as sitações legais que "coleciono"? (rs)

Achei seu blog bem legal, Tulio! Parabens.

Bruna Buzzo

fabio-lombardi disse...

E parece que eu vi o parque... E senti tudo. Que muitos, muitos beijos serao conquistados, disso, nao tenho duvida!
Que das amarras so reste mesmo amar...
Fabio