sexta-feira, 18 de julho de 2008

Nicole e o casamento

O que mais me chamou atenção no filme foi a inovação. É simplesmente inevitável dizer que me senti desafiado. Desafiado a compreender um roteiro propositalmente desconexo, uma série de frases, situações e comportamentos extravagantes e realistas que não pareciam levar o filme a lugar nenhum, mas à análise do comportamento humano. À solidez e ao ventre da relação de duas irmãs. E gostei disso. Gostei dessa atmosfera estranha e perturbadora, em que as coisas nem sempre fazem sentido, em que risadas e lágrimas se sucedem e interagem em uma fração de segundos. Em que o público é instigado a refletir para se chegar a algum lugar.

A relação entre irmãs me chamou atenção. Esse sentimento impálpavel, forte, irracional, que não pode ser dito, que admite ressalvas, brigas, momentos tensos, angústias, críticas, mau-humor e toda sorte de estados, mas que como um ventríloco com sua marionete, está sempre lá. Superior. Presente, vivo, para ser sentido, defendido, admirado...amado.

A sinceridade das personagens, o seu realismo, a câmera fugídia e vibrante, a fotografia natural e as atuações espontâneas merecem créditos. O que mais gosto depois de assistir ao filme é pensar em Nicole Kidman de uma maneira diferente. Depois da fama, um ator não precisa mais fazer qualquer papel. Ele os escolhe. E Nicole vem escolhendo filmes não tão convencionais assim. O que eu acho simplesmente ótimo. Não importa se fazem sucesso ou não, se o salário é alto ou não, a característica comum é o conteúdo que abordam: pessoas não convencionais, muitas vezes em crises, questionadoras, com uma vida interior complexa e pulsante, de alguma forma diferentes do senso comum. E essa ligação da atriz com esse mundo de personagens complexas é tão forte que não seria pouco dizer que são exatamente essas personagens as que Nicole encarna melhor.

É só lembrar de Grace, em Dogville, Anna, em Birth, Diane, em Fur. E claro, Virgínia Woolf em As Horas. Com Margot, não seria diferente. Nicole transita entre o cinema alternativo, diretores alternativos e interessantes como Lars Von Trier e o próprio Noah Baumbach e as grandes produções, como Cold Mountain e Austrália - em fase de pós-produção. Margo e o casamento, um filme para se pensar. Uma proposta que por si só, boa ou ruim, a depender de quem assiste, já é interessante desde o começo.

2 comentários:

Clara disse...

Sim, mas... qual é o filme mesmo??

ahh, e por favor, fala que você gostou de "A pele"!!! porque eu já estou chegando a achar que eu sou a única pessoa que gostou!
se bem que sou suspeita, pois eu já adorava Diane Arbus antes de ter visto o filme...

saudades de vc, meu parceiro da balada ;p

beijo!

Alice disse...

e cheguei no final com a mesma pergunta da claire.
haeuhahehae

sabe, hoje eu assisti a um filme italiano ("a vida que eu sonhei" - sim, as traduções fazem qualquer filme parecer comédia romântica açucarada, mas não, não era) e a atriz principal me fez lembrar constantemente a nicole kidman.

talvez pela semelhança física, mas acho que foi mais pelo papel que traduz uma "vida interior complexa e pulsante", assim como vc descreveu o conteúdo abordado nos filmes.

sem contar que eu também lembrei de vc, porque a história mistura e questiona o papel da arte construtora da realidade (ou vice-versa) através de um filme dentro de outro filme...e ah, sei lá, acho que vc gostaria de ver
oh, segue o trailer no youtube..
http://www.youtube.com/watch?v=GYQQK9aqnpg

=)
beijos!