sábado, 9 de agosto de 2008

Nossa Vida Não Cabe Num Opala

“Nossa Vida Não Cabe Num Opala” é, antes de tudo, um filme ousado. Baseado na peça teatral de Mário Bortolotto, a versão cinematográfica é dirigida por Reinaldo Pinheiro, que consegue captar com competência a essência e as características das personagens tipicamente paulistanas retratadas no filme. A câmera persegue as personagens em seus conflitos, de maneira que em muitas cenas é possível perceber que o movimento de Pinheiro parece refletir realmente o que as personagens vêem ou sentem.

As cores pastéis e os ambientes desorganizados traduzem com presteza o tédio e a vida sem perspectivas e sem afeto das personagens principais. O choque de uma realidade tão triste e tão degradante, que revela o pior da condição humana, o lado mais obscuro e desesperador de uma vida de roubos, marginalidade, ignorância e subserviência ao crime e à falta de escrúpulos, leva o espectador a fazer uma pergunta simples: por que essas pessoas não tentam mudar de vida? A resposta aparece absolutamente nítida ao longo do filme.

Como se safar de uma condição onde a esperança não existe mais, ou sequer existiu algum dia? As personagens do longa estão enterradas nas profundezas de suas próprias vidas amargas, como se tivessem sido tragadas por seus próprios medos e pela indignidade do meio em que vivem. Viver de roubos e cair na mediocridade parece ser a única saída possível para os elementos dessa família.

Merecem destaque também o figurino muito bem trabalhado e a trilha sonora, presente em todos os momentos cruciais do filme, com uma carga dramática que se torna imprescindível para a compreensão da proposta do longa. Com um final impressionantemente chocante e deprimente, o longa de Pinheiro consegue retratar com fidelidade uma existência caótica, desprovida de qualquer possibilidade de sonho: para essa realidade não há trégua.

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