terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sobre um garoto...

Era uma vez um garoto. Curioso, sabia de cor todos os nomes de todos os atores e atrizes dos filmes de que gostava. Mais tarde, seu hobby passou a ser assistir a todos os filmes que pudesse dos diretores que lhe chamavam a atenção. Descobriu Chaplin e o garoto, passou por Oliver Stone e JFK, depois Lars Von Trier e Dogville, Woody Allen, Truffaut, Godard, Meirelles, Salles, Coutinho. Deu-se ao luxo de não gostar de Clint Eastwood, Scorcese e de alguns filmes de Almodóver.

Idolatrou filmes clássicos, mas também rendeu-se aos medíocres. Sobretudo, gostava de se imaginar em cena. De decorar suas falas favoritas, de encenar as cenas mais desafiadoras. De imitar olhares fatais, gestos automáticos e surpresas decepcionantes. Pensou em ser ator. Não havia uma escola decente aonde pudesse desde cedo desenvolver o seu lado artístico. Que pena! Dizem que essas coisas tem que ser desenvolvidas desde cedo. Se importava e não se importava.

Veio o destino que lhe trouxe quatro espetáculos de muito orgulho, mas pouco trabalho. Não era o suficiente para ele, mas como tinha de ser, se contentara com aquilo. Eis que mais tarde se apaixonou pela escrita, pela política e pelas discussões acaloradas.

-Quer mudar o mundo, vê se pode!

E pode. E nem que seja uma mudança pequena, que comece em sua boca e termine no ouvido da colega de sala. Ou na ponta de seu lápis e nos olhos de seu editor. Quem sabe. Ainda assim, nunca deixara de lado seu antigo sonho. Nem que quisesse. Era tão forte, não tinha como! Toda vez que via uma peça, que assistia a um bom filme, seu desejo era de entrar no palco, entrar na tela de cinema, repetir quinhentas vezes a mesma fala, encenar trezentas vezes a mesma cena, se acabar e se restabelecer toda vez que ouvisse um aplauso ou um "corta!".

Mas a vida é engraçada e agora sua função é assistir e criticar. No bom sentido é claro. Nem sempre. Era exigente quando precisava. Além do mais, agora tinha de se empenhar na escrita. Bom, como nunca foi fã de trajetórias lineares ou rotinas, de repente daqui a uns tempos lá está ele nos palcos. Muito provavelmente. Por enquanto contentava-se em ir ao cinema e idealizar o que via...Maldita idealização! Será que ela nunca terá fim?

Isso não podia saber, mas também não se preocupava muito não, afinal, aquele estado de sonho, de felicidade e de euforia com que saia de um bom filme e com que escrevia desesperadamente a sua resenha era tão grande, mas tão grande, que seria impossível não desejá-lo, não persegui-lo e não tentar, mesmo que sem efeito, levá-lo para todos os seus minutos, horas e segundos.

Porque, assim, quando se escreve sob esse efeito, sabe, tudo fica literalmente maravilhoso!

Fim.

2 comentários:

Fontes disse...

Fim?

Alice Agnelli disse...

fim nada, tulio!
esse é só o começo!

(E como eu queria saber tão bem o que quero e o que sou como vc parece saber...
Ah, se bem que eu acho que seria um saber muito complicado, então esquece!)