terça-feira, 14 de outubro de 2008

Confissões de um acaso sedutor

E foi assim que se conheceram. De repente, no caminho da casa para a academia. Pararam no ponto de ônibus, sentaram na sarjeta e contaram descompromissadamente alguns planos, as rotinas cansativas, os sonhos, os gostos parecidos, a paixão pelo teatro...Também descompromissadamente, flertaram e fizeram apostas.

Teve medo. Queria e não queria se envolver novamente. Era muito cedo. Acabara de sair de um relacionamento de anos, daqueles intransponíveis, inacabáveis, sufocantes, massantes. Amor e ódio. Mas, ao mesmo tempo, era bom saber que a vida lhe batia de frente mais uma vez. E frente a esse tipo de desafio, nunca tivera medo. Pelo contrário.

Encarou profundamente aqueles olhos verdes. Sentia-se hipnotizado por sua beleza. Já não ia mais para a academia. Andando devagar, acabaram jantando juntos. Riram à toa, criaram uma fração de intimidade suficiente para disfarçar os sorrisos amarelos e necessária para palpitar sobre podres e temores. Jogaram seu jogo. Seu coração batia acelerado. Gostava de como a coisa evoluía e, então, e, contra a razão, deixou-se levar.

Engraçado lembrar daquela época. Daqueles meses, daqueles passeios. Daquela ansiedade absurda que se dava muito bem com a alegria de cada ligação. Fora feliz por um tempo, a sua maneira, não como quis e supôs, mas de uma maneira não menos excitante e marcante.

A música lhe trouxe, agora, no presente, todos esses sentimentos de volta, numa fração de segundo. Arrebatou-o. Sorriu de leve, como que para não espantar o calor daqueles segundos. Mas logo depois, voltou a si. Olhou ao redor, fitou os bancos surrados, o sol preguiçoso, as pessoas espontâneas em seus trajes leves de verão.

Encontrou-se aberto. Sim, aberto e desejoso mais do que nunca de que o acaso passasse mais uma vez por seu caminho.

6 comentários:

Verdes Espirais disse...

Que lindo ^ ^

Alice Agnelli disse...

"Já não ia mais para a academia".

incrível como o acaso realmente muda os planos e surpreende, alegrando por aí os dias perdidos...

que delícia de texto, pra variar!

e acho que essa abertura é bem cara de primavera que finalmente parece brotar com esse solzão desta semana.

(pra vc ver como o céu se abrindo abrem-se as pessoas, abrem-se as flores... e tudo fica tão mais bonitinho! ohnn)

Paulinha, trocando em miúdos disse...

Ah, meu, eu não sei jogar anos intransponíveis, inacabáveis, sufocantes e massantes fora.. apesar deles serem tudo isso! hehe

Fontes disse...

Dá pra ver nos olhos do túlio que ele é um cara muito apaixonado.

Já deve ter quebrado a cara muito, ou ainda vai quebrar. E vai valer a pena.

Clara disse...

e pode ter certeza de que o acaso ainda vai trazer muitas surpresas, tulio!

e espero que todas elas te façam muuuuito feliz :)

[e a distância é uma merda, né? =/]

beijos!

Felipe Lobo disse...

Os dados rolam e trazem resultados que nos fazem sair da rotina cega e enxergar algo mais. Algo novo, que traz novos sentimentos, turbilhões, bons, ruins, excitantes...
Que bom que vc sabe aproveitar isso, Tulio! Pq é isso que nos faz sentir a vida.