segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Dançando no escuro

Girava a cabeça sem parar. Os braços, leves e soltos, flutuavam sem parar. Acariciavam o ar como folhas velhas que o vento arranca e caem do alto de uma árvore. Seus joelhos se movimentavam vagorosa e acertadamente. Um passo pra lá, outro pra cá.

Era fantástico pensar em como o som da música tinha o poder de penetrar fundo em seu corpo, em sua alma e influenciar suas emoções. Em como um segundo é capaz de trazer toda a fortuna do mundo, assim, pálpavel e eterna em toda a finitude que é possível haver nesse curto espaço de tempo.

Sentia-se como um balão que podia explodir a qualquer momento. A felicidade batia forte e intensa em seu peito toda vez que era capaz de sentir-se completo com uma música. Como um balão; cheio de gás e auto-suficiente. Engraçado como uma música ou uma dança podem dizer tanto de alguém. Sua única saída era sempre a mesma ao ouvir algo que lhe despertava esse conhecido e valorizado estado: dançar.

Não olhava para os lados. Olhava para si. Era um daqueles momentos egoístas aonde tudo o que se quer é sentir prazer; sentir a vida bater e pulsar por todo o seu corpo. Sentia a música tocar e incorporava vivências, sentimentos e ressentimentos, apostas e expectativas em cada passo que dava.

Às vezes, não pensava em nada. Mas uma certeza carregava sempre com si: a felicidade está, sim, nas pequenas coisas. E claro, nas grandes canções.

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