segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Até quando essa palhaçada vai continuar?

Palhaçada. É assim que encaro o ataque massivo de Israel à Faixa de Gaza que redundou em mais de 300 mortos e sabe-se lá quantos milhares de feridos. Não que seja favorável à atuação do grupo de resistência islâmico Hamas, diga-se de passagem. Após o término do cessar-fogo entre israelenses e palestinos, o Hamas inciou um ataque de foguetes ao sul do território israelense - o que é apontado como o ponta pé incial para o recomeço da guerra.

Mas, como pertinentemente perguntou um dos âncoras da BBC de Londres, para uma autoridade israelense: " o que vocês pretendem com esse bombardeio desproporcional? no passado, há suficientes casos de bombardeios que exemplificam que esse tipo de atitude, além de ser fonte de mais resistência entre os palestinos, matou centenas de civis, destruiu instituições e a infra-estrutura de cidades sem se chegar a qualquer proximidade à paz desejada". A resposta do representante israelense me pareceu completamente estapafúrdia: " Não desejamos acabar com o Hamas e sim mostrar-lhes que existem limites a serem respeitados".

Que espécie de democracia é essa que usa da sua soberania de maneira tão terrorista como aquela que é apontada como tal? Que democracia faz uso da força para atingir seus objetivos? Que dá o troco na mesma moeda, joga o jogo de quem não sabe jogar? Que mata e hasteia sua bendeira no sangue? Quanta balela!

Israel não está nem um pouco interessado em entender a origem dos movimentos de resistência árabes. Como solucioná-los, como se chegar à raíz do problema. Bombardear vem primeiro. Até porque, para se entender a origem de tais movimentos, esbarra-se fundamentalmente na história de Israel. Estado criado em 1948 próximo à Palestina, já em 1949 ocupava 78% da Palestina histórica. Nas regiões ocupadas encontram-se nascentes de rios e zonas de recursos minerais. Limites não eram exatamente prioridades nesse período. Não houve nada que impedisse os israelenses de ampliar seu domínio na região - exceto o financiamento internacional. Israel passa então a existir como nação - de quebra, ainda fortemente amparada militarmente - e a Palestina, esta fica em frangalhos.

Parece bastante coerente: ano passado, o Líbano. Este ano a Palestina. Ano que vem sabe Deus quem. Talvez o Iêmen, que anda atraindo milhares de jovens para a resistência armada contra as ocupações americanas no Afeganistão e no Iraque, como assinala a edição desse mês da revista Le Monde Diplomatique Brasil. Qualquer lugar em que existam movimentos de resistência aos desmandos de Israel. Novamente, sou contrário a qualquer tipo de reivindicação que faça uso da força. Matar é perder a razão. Mas, para se entender o conflito, é necessário chegar ao centro do problema e não continuar aos rodeios para ofuscar o que é nítido.

Qualquer semelhança com o passado não é mera coincidência.

Nenhum comentário: