sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Le Tourbillon


Uma relação amorosa entre três pessoas. Será possível? Desde pequeno, achava que não. Mas agora, depois de assistir a Jules e Jim me pego pensando mais uma vez no quão infinitas são as possibilidades que a vida pode nos oferecer e, ao mesmo tempo, em quão opressores são os padrões culturais e sociais que ditam regras e nos impedem de nos arriscarmos em aventuras, vivências e experiências que sejam maiores do que o que convencionalmente se vê por aí.

Não há respostas fáceis ou óbvias para esse tipo de pergunta. A menos que se viva nos ditames do certo ou errado. E nem é preciso que existam respostas. É preciso, ao contrário, sentir. E viver. E pensar, claro e sempre. O engraçado é constatar que, ao contrário do que se aprende desde pequeno, no decorrer do crescimento e da maturidade, o que surge cada vez mais são uma sequência de novidades, de questionamentos, de oportunidades e de momentos completamente diferentes e alternativos a tudo que se prevê desde muito cedo. Basta manter-se aberto.

Catherine era uma mulher intensa. Forte e frágil, decidida e vulnerável, corajosa e temerosa. Queria viver e amar e dessa combinação óbvia e audaciosa, não cessou em
meter-se em qualquer relação que lhe propiciasse prazer. Anos passados ao lado de Jules, meses ao lado de Jim. Noites ao lado de Albert e outros amantes. Tudo em resposta a seus desejos - sejam eles reais e palpáveis, sejam em resposta a desejos inatingíveis ou meramente para fazer ciúmes a Jim.

Jim, logo no começo classificado como garanhão, no final do filme mais nos parece uma pobre e ciumenta vítima de um amor muito maior do que é capaz de suportar. E é assim que tem de ser, pelo menos para Catherine. Jules, certamente a personagem que se conhecia com maior clareza, não exitou em permanecer ao lado de sua amada Catherine e de sua filha Sabine, mesmo que isso significasse vê-la com outros homens. Queria estar perto de sua amada. Apenas isso.

-A que preço? - eu me pergunto.

É a personagem que mais admiro no filme. Nobre, dedicada, clara. Feliz com suas escolhas. Certamente, foi quem aproveitou melhor todos os momentos passados juntos.

Voltando à pergunta do início do post, é incrível como Jules e Jim consegue traduzir o intraduzível que envolve as relações amorosas. Todo o clima de efemeridade, de consideração convivendo ao lado de mágoas, do que é bem conhecido ao estranhamento do imprevisível, todo esse sentimento de carpe diem é expresso de uma forma sincera, até mesmo ingênua. Um filme lindo, sobre a vida, sobre o amor e, acima de tudo, sobre a profundidade e o sedutor obscuro de todos os sentimentos humanos.

2 comentários:

Luiz Sas disse...

Talvez aqueles que (mais) invejo sejam as pessoas mais sensíveis. Mais um vez, lendo seu texto, me peguei me perguntando: "Será que se eu visse esse filme eu sentiria tudo isso? E se sentisse, me expressaria tão bem?".

E o pior é que se continuar assim, minha lista de filmes-que-não-importa-o-que-aconteça-devo-assistir-nas-férias se tornará impraticável..

abç.

Fontes disse...

Esses filmes de triângulos amorosos entre jovens dão pra gente uma vontade de viver... Não raro, de se meter numa dessas benditas formas geométricas.