sábado, 6 de dezembro de 2008

Nostalgia anunciada

Saíra do banho e pegava-se olhando-se no espelho demoradamente. Demorava também a acreditar e a passar a escova nos cabelos ainda úmidos. Momentos alternavam-se em sua cabeça, como cenas de um roteiro que ainda não estava acabado. Orgulhava-se de estar ali. Orgulhava-se de quem se tornara. Orgulhava-se ainda mais, infinitamente e impossivelmente mais, de quem conhecera. De todas essas pessoas que completavam suas horas, seus sorrisos, sua vida inteiramente nova e ao mesmo tempo completamente velha.

Como se já tivesse sonhado com tudo isso, como se já tivesse previsto tudo que vivera em quase um ano há muito tempo atrás e alguém pudesse dar-lhe uma bofetada e traze-lo de volta para a realidade a qualquer minuto. Sonhara, profetizara. Muitas vezes desacreditara. Mas veio a vida e mostrou-lhe o que, no fundo, sempre confiara.

Veio a vida e apresentou-lhe pessoas maravilhosas, que aguentam horas de pé em uma quinta-feira ordinária, em um final de semestre dos mais atropelados, que fazem do pouco muito, que gritam e esperneiam quando uma música boa toca, que fazem declarações de madrugada e planos estratégicos dos mais sinceros possíveis. Veio a vida e rompeu mais uma vez com todas as suas previsões. Vieram bahianos, ribeirão-pretanos, artistas plásticos, mineiros e até campo-grandenses! E claro, os paulistanos. Vieram também os mais maravilhosos RIanos do mundo - sim, porque o mundo é pouco para todo esse Brasil.

E veio também um espelho quebrado que, caindo de uma altura considerável, pôs fim a toda essa nostalgia anunciada. Que venham agora também os próximos quatro anos porque eu decisivamente não posso mais esperar por eles!

2 comentários:

Alice Agnelli disse...

Tulito,

que venham os próximos 4 anos, mas nem tão depressa como esse se foi.

ai como eu me orgulho de você!
me orgulho de ter alguém incansavelmente incansável, alguém alegremente alegre, alguém simplesmente simples e complexamente complexo como você!

muitomuitomuito!

e minhas sextas não seriam as mesmas sem você.

minhas sextas e meus dias - pode acreditar!

=)

Felipe Lobo disse...

Ah, Tulio, que legal ler isso!
É bom saber que a sensação que você descreve, com precisão e emoção que te é característica, está presente em cada um de nós.

Como muito bem disse a Alice, que venham esses outros 4 anos, mas que passem mais devagar, para podermos aproveitar mais, muito mais.

Que essa sensação incrível nos faça ainda mais amigos, cada vez mais!