segunda-feira, 27 de abril de 2009

Afinidade

A jovem se sentava em seu sofá confortavelmente, vestida em seus pijamas leves, coberta por seu cobertor peludo, com os cabelos arrumados em um coque desajeitado - pronta para qualquer risco que uma noite de segunda-feira dentro de casa pudesse vir a apresentar.

Do alto de seu pequenino porte, realçado pela altura do sofá, seus questionamentos eram lançados, como fagulhas que saiam de sua boca e eram animadas por seus movimentos rápidos com os braços e reverberavam internamente em mim, fazendo-me pensar de maneiras paralelas o quanto acreditava em tudo o que ela dizia e o quanto nossa amizade era sincera e natural. Ao mesmo tempo em que conseguia pensar nas torres gêmeas e na possibilidade de uma conspiração por trás do fato, subitamente voltava ao ano passado e começava a pensarnas circunstâncias de como nos conhecemos e tudo o que vivemos desde então.

Na verdade, o mais importante: o quanto toda aquela série de questionamentos fazia bem para mim. O quanto eu era feliz por esperar encontrá-la e ouvir, sempre, todas aquelas observações . Aquela abertura e aquele jeito de pensar que é como uma fênix que ressurge das cinzas e renova-se seguidamente. Observações sempre recheadas por longas pausas de risadas espaçadas que desde o príncipio encaminham o tom de nossas narrativas.

Já no fim daquele encontro, levado em conta todo o contexto, notei-a um pouco apreensiva. Preocupada talvez, desanimada, quem sabe. A vida e seus momentos cíclicos que todos vivemos - mas que sempre teimamos em tornar exclusivos e amedrontadores. Naquele dia ela estava oprimida. Por bons problemas, é claro.

De qualquer forma, todo o papo jogado fora, toda expressão compartilhada, toda expectativa de nossas frases e do próximo assunto, todo o carinho, estes eram os de sempre. E para isso não há o que dizer, é inspiração vinda de afinidade e não há nada que possa barrá-la. É violenta, efêmera e incompartilhável. Mas existe e mesmo que não possa ser repassada, é digna de nota - nem que a tentativa não tenha sido tão boa.

sábado, 25 de abril de 2009

And somehow there are two of me. Fighting to see who's going to win. Not that there'll ever be a ultimate winner. I don't believe anymore in last winners or unchangeable things. But, as I walk, I do feel this spirit which insists on trying me all the time. This vague spirit that throws everything on my face and keeps provoking me. One thing is certain: the only winner in this fight is no one else but me.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

A perfect straight line

Não estávamos procurando um sentido - naquele dia tudo que buscávamos era senão uma ausência de qualquer sentido. Esse assunto era corriqueiro na atual fase em que nos encontrávamos. Decidimos olhar pra trás e, entre uma louça e outra, rimos, ficamos sem palavras, sentimos saudades.

Olhamos para nós mesmos e nossos segredos. Duas cabeças que haviam crescido juntas, que se conheciam de uma maneira tão precisa - talvez até melhor do que cada uma individualmente. Ficamos em silêncio e o peso já não era mais evitável. Passamos a divagar: sobre nossas antigas previsões, nossos sonhos agora parcialmente realizados, sobre padrões, sobre nós mesmos e sobre a felicidade. Sobre nosso humor e o quanto eles gostavam de se alternar.

Revelamo-nos que havia muito de que desconhecíamos. O tipo de intimidade que não se revela para alguém de quem se é mais do que íntimo - mas que existe para ser desvendada exatamente por esse tipo de pessoa. Não com palavras, mas com um olhar ou um sorriso. Talvez com um simples levantar para pegar mais um pouco de água no jarro - e dessa forma acabar com a tensão.

Não precisávamos ser diretos. Às vezes, era engraçado. E começávamos a pensar em quanto conversas vagas nada mais são do que frases desconexas jogadas para si mesmo quando, a bem da verdade, o que se quer dizer está implícito e ou já foi captado ou, de fato, jamais vai ser. Como pegar ou largar.

Naqueles momentos, tudo era possível. E, no entando, depois, muito era deixado de lado. Até quando? Impossível saber. É como em Clarice: " Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento".

sábado, 11 de abril de 2009


Henri-Cartier Bresson

Uma homenagem ao momento decisivo!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

domingo, 5 de abril de 2009


É difícil assistir a Quem quer ser um milionário? - filme dirigido por Danny Boyle, rodado inteiramente na Índia e composto somente por atores indianos - e não se pegar pensando freneticamente após a sessão no mundo, seus dilemas e suas consequências na vida de tanta gente por aí afora. Porque, uma coisa é certa, esse filme é capaz de nos sugerir a imensidão de pessoas, situações, contextos e injustiças que podem estar vivendo e acontecendo exatamente agora - enquanto eu escrevo esse post e você o lê.

A fotografia amarelada é tão quente quanto o calor emanado das camisetas regatas velhas que vestiam boa parte das crianças do filme e todas as tomadas parecem não nos deixar esquecer a desumana miséria que permeia a vida das personagens retratadas no filme. O império do dinheiro, que mata vidas, coisifica e escraviza o homem, a degradação das relações sociais e o primitivismo a que o ser humano pode chegar em situações limites emocionam e revoltam em toda a complexidade de entender quais são realmente as engrenagens das situações que o filme leva ao espectador.

Toda a estrutura narrativa desenvolvida entre a história de Jamil, abandonado à própria sorte quando criança após a morte abrupta da mãe, e o programa no qual o garoto concorre ao prêmio milionário que pode mudar sua vida nos remetem ao poder locomotor e hipnotizante que a mídia tem sobre a vida das pessoas - de todas as classes sociais. Torcer por Jamil, um favelado que consegue garantir seu futuro dignamente através de um programa de televisão, é, por extensão, sair de um cotidiano cinzento, sujo e desolador que parece afogar a maioria dos semblantes exaustos das figuras que aparecem ao longo do filme. Um exemplo claro do poder de fogo da indústria cultural.

É inevitável não mencionar a Índia, suas contradições gritantes - que, diga-se de passagem, muito se assemelham ao Brasil - e traçar um paralelo com os outros países vítimas da colonização imperialista dos séculos XIX e XX: todos convivendo com suas enormes disparidades.

A long time ago - The present

STRAWBERRY SWING - COLDPLAY

They were sitting
They were sitting on the strawberry swing
Every moment was so precious

They were sitting
They were talking under strawberry swing
Everybody was for fighting
Wouldn't want to waste a thing

Cold cold water bring me round
Now my feet won't touch the ground
Cold cold water what you say?
When it's such, it's such a perfect day
Such a perfect day

I remember We were walking up to strawberry swing
I can't wait until the morning
Wouldn't want to change a thing

People moving all the time
Inside a perfectly straight line
Don't you wanna just curve away
When it's such, it's such a perfect day
It's such a perfect day

Ah-ah-ah-ah-iiiii
Now the sky could be blue I don't mind
Without you it's a waste of time
Could be blue I don't mind
Without you it's a waste of time
Now the sky could be blue could be grey
Without you I'm just miles away
Oh the sky could be blue I don't mind
Without you it's a waste of time