sexta-feira, 17 de abril de 2009

A perfect straight line

Não estávamos procurando um sentido - naquele dia tudo que buscávamos era senão uma ausência de qualquer sentido. Esse assunto era corriqueiro na atual fase em que nos encontrávamos. Decidimos olhar pra trás e, entre uma louça e outra, rimos, ficamos sem palavras, sentimos saudades.

Olhamos para nós mesmos e nossos segredos. Duas cabeças que haviam crescido juntas, que se conheciam de uma maneira tão precisa - talvez até melhor do que cada uma individualmente. Ficamos em silêncio e o peso já não era mais evitável. Passamos a divagar: sobre nossas antigas previsões, nossos sonhos agora parcialmente realizados, sobre padrões, sobre nós mesmos e sobre a felicidade. Sobre nosso humor e o quanto eles gostavam de se alternar.

Revelamo-nos que havia muito de que desconhecíamos. O tipo de intimidade que não se revela para alguém de quem se é mais do que íntimo - mas que existe para ser desvendada exatamente por esse tipo de pessoa. Não com palavras, mas com um olhar ou um sorriso. Talvez com um simples levantar para pegar mais um pouco de água no jarro - e dessa forma acabar com a tensão.

Não precisávamos ser diretos. Às vezes, era engraçado. E começávamos a pensar em quanto conversas vagas nada mais são do que frases desconexas jogadas para si mesmo quando, a bem da verdade, o que se quer dizer está implícito e ou já foi captado ou, de fato, jamais vai ser. Como pegar ou largar.

Naqueles momentos, tudo era possível. E, no entando, depois, muito era deixado de lado. Até quando? Impossível saber. É como em Clarice: " Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento".

2 comentários:

Marcelo Buosi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Buosi disse...

Não consegui deixar de sorrir durante o texto todo. Fiquei contente pelo texto e pela forma como voce escreveu e por saber que isso realmente existe.

Conseguiu ilustrar bem, mais uma vez, aquele momento, que por sinal temos que repetir, né?

Ainda não consigo sentir saudades disso, mas com certeza, mais pra frente, vou lembrar e falar "nossa, caralho, eu lembro disso e blá blá...". E com certeza, você ainda vai confundir algo que aconteceu antes ou depois com o que aconteceu nesse dia.Algo como: é, foi nesse dia a gente fez um macarrão gostoso, né?. E eu, já com aquela cara incrédula e, ao mesmo tempo,demonstrando certa irritação, vou falar: "não, esse foi o dia em que a gente pediu pizza, e blá blá blá...".

Hahahahaah, não é sempre assim?
Mas foi bom, man.
E ah, o final com clarice e tudo mais, foi ótimo.Aliás, tão bom que vou reler agora.

Abraços.

ps: lembrei do momento "sintonia absurda".