segunda-feira, 4 de maio de 2009

Fobias mistificadas

Um documentarista decide fazer um documentário sobre fóbicos e suas fobias. Em sua busca, Jean-Claude(Jean-Claude Bernardet) só tem uma certeza: a única imagem verdadeira passível de ser captada por uma câmera é a reação de um fóbico frente sua fobia. Partindo dessa premissa, Filmefobia, dirigido por Kiko Goifman, leva o espectador a uma sucessão de cenas em que personagens reais – que topam participar do documentário de Jean-Claude – se submetem à situações em que devem ficar cara a cara com seu maior medo.

Sendo boa parte dos traumas resultado de experiências mal sucedidas com o objeto fóbico ao longo da vida, o que Filmefobia não explora é exatamente a origem desses temores descontrolados – e, por vezes, insignificantes – e a capacidade criativa da mente em alterar situações aparentemente banais, transformando-as em verdadeiros tormentos.

A fotografia escura, que mais lembra um quarto fechado, e o misto de exibicionismo e sadomasoquismo que parece exalar das repetitivas sequências de fóbicos versus fobias não só são responsáveis pelo ar naturalista que o filme possui como passam também a impressão de que estamos frente a mais um reality show de TV.

Com uma linguagem que se divide entre narração e documentário, Filmefobia talvez pudesse ganhar muito mais densidade caso viesse a optar pelo segundo formato. Apesar do ambicioso pano de fundo metalinguístico e da peculiaridade do tema tratado, o longa não consegue alçar vôo e sobreviver a seus próprios clichês.

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