sexta-feira, 31 de julho de 2009

To Fabio

Fabio'd be smoking. Certainly he'd have had a coffee some minutes ago. He'd be looking firmly to me, speaking only in english, of course - not because he was my teacher, but because our secrets, well, those...only in english.

He'd cross and open his eyes. And his mouth'd move in a way that his teeth'd seem bigger than they accually are. He'd be fidgeting. And probably tired. And complaining about having to do the washing or going to the supermarket - and not having time to do so. He'd be pretty much the same.

Even in Alasca.

Miss you, buddy!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Árvore

Annie Hall



Annie Hall ou, no Brasil, Noivo neurótico, Noiva nervosa é um retrato de uma geração. E de um diretor. Ali podemos ver Woody Allen em seus primórdios, as bases de seu cinema de forma muito mais evidente do que seus filmes atuais, os diálogos apressados, propositadamente sutis e sugestivos, o humor inteligente e sofisticado sob o ponto de vista de um contexto histórico efervescente, fértil e desafiador.

Assim é Annie Hall: o retrato aparentemente não comprometido de uma geração comprometida em buscar o que não sabia. Em buscar o novo em meio ao banal, em testar-se, em aprofundar-se, em ultrapassar moralismos e conservadorismos. Em reiventar a si mesmo e, se não o mundo, pelo menos aquilo que se encontra ao seu redor: discos, livros, ideologias, roupas, tabus, personalidades, hábitos. Acima de tudo, Allen deixa claro, relacionamentos.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Se


E novamente me pego pensando no "se". Relembro algumas histórias. Tento mudá-las, em vão. Fecho os olhos por alguns segundos e sou capaz de voltar no tempo. De sentir o cheiro do verde e o calor do parque central da cidade. De exigir de mim mesmo mais pulso. De exigir da vida e das pessoas outras atitudes. De "retocar" detalhes.

Tudo me inspira um passado distante que insiste em sistematicamente voltar à tona. E se fazer tão próximo. Um passado efêmero, de meses. Talvez os melhores meses que tenha vivido aqui. Sem dúvida, dos mais turbulentos. Cheios de emoções, desafios, momentos, pessoas. Nesse quesito, o "se" me persegue.

O "se" é emocional, sei disso e não nego. Se penso racionalmente, não me dou a tal tipo de luxo. É ilusório acreditar que tudo na vida possa depender de algo ou alguém. Acima de tudo, faz mal. Mas enfim, o "se" existe e é preciso lidar com ele. Fazer o que?

Sempre

E parece que, propositadamente, de onde não tinhamos mais esperança alguma surgem forças. Propositadamente ou despropositadamente? Sempre me ponho a pensar - já que sempre que algo novo e bom surge em nossas vidas a primeira pergunta que fazemos é porque aquilo não aconteceu antes.

Onde eu estava esse tempo todo???

Por dois segundos de puro otimismo, consigo me confortar um pouco com o fato de que na vida as coisas se dêem dessa maneira. Fico pensando como seria se tudo desse certo sempre e você não tivesse que passar por maus bocados antes de jogar os braços pra cima e ser feliz. Felicidade. Cara, como na maioria das vezes nós mesmos somos capazes de sermos felizes! - momento "surto" de desconsiderar todas as injustiças do mundo.

E eu sempre me volto para o passado. Para o aparente "tempo perdido" e sua velha sensação de angústia. Verdade ou ilusão? Ainda me pergunto isso constantemente. Ah, essa mania de ficar refazendo o que já passou! Mas para quase tudo existe um lado justo...E soa absolutamente tão justo reconstruir momentos, situações...pessoas!

É, voltar para casa sempre significa voltar-se para o passado. E desta vez, por enquanto, torcer pelo futuro. Que me parece um dos melhores possíveis, desde...sempre!

domingo, 26 de julho de 2009

O casamento de Rachel



Mais um drama familiar. Legal observar a câmera em movimento e alguns diálogos espertos. O problema são as tomadas muito longas e repetitivas e o excesso de clichês. Mas as atuações valem a pena.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Paris, Je t'aime


Paris, eu te amo não poderia deixar de ser lindo. E problemático. De filmes cuja expectativa prévia é alta e os resultados nem sempre são condizentes com o que se espera, estamos fartos. Mas a combinação de 20 filmes sobre a capital francesa desempenha modestamente bem sua proposta de juntar diretores com repertórios cinematográficos diferentes para destacar o que há de melhor em Paris: a diversidade cultural, as possibilidades que a cidade apresenta, seus encantos, seus problemas, o amor.

É notável perceber que nos filmes em que os atores hollywoodianos se encontram - e em que a mídia consequentemente concentrou seu enfoque - as surpresas e reflexões não são tão desafiadoras quanto àquelas presentes em outros curtas que compõe o longa. Coincidência ou não, já que esta é por si só uma proposta até certo ponto alternativa, estão nos atores desconhecidos do grande público as melhores interpretações. Entre os diretores, salvo Gus Van Sant, mais uma vez mostrando compreender muito bem o espírito jovem - vide os diálogos espertos e desconexos de seu filme - o mesmo pode ser dito.

É só uma pena não vermos iniciativas como essa para outras cidades do mundo. Não pude deixar de pensar que São Paulo se adequaria totalmente para a proposta.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Um pé na terra, outro na lua

Dizem que as palavras esfriam caso você demore a pô-las à mostra. Concordo. São efêmeras. Se dissolvem no ar ao menor piscar de olhos para separar um parágrafo de outro. Faz tanto tempo que não sinto as palavras caminharem com o pensamento... Ou melhor, com o sentimento. Difícil. Falta de tempo. Ou insensibilidade de tempos insensíveis.

Férias. Volto para casa, finalmente. Tudo está igual. Os mesmos porta-retratos - que variam suas posições, na lógica de um anagrama cujas letras mantém-se sempre as mesmas, apenas revezando-se em seus lugares - o mesmo cheiro, o clima abafado de sempre. A poeira da avenida. É lindo e é trágico. Que saudade do tempo que passou! Faz bem olhar para trás agora. E é lindo pensar que novos horizontes se traçam a minha frente, o tempo todo. Sucessivos e efêmeros, como as palavras. Intensos.

Abro o armário e procuro mais fotos. A luz do dia começava a desaparecer; prefiro não acender as luzes e aproveitar a ressaca do final da tarde, ouvindo o barulho dos carros lá fora, que logo passaria, assim que as pessoas chegassem em suas casas e a cidade caísse no marasmo da noite. O vento me traz cheiros, que retomam sensações, que se intensificam ao relembrar de cada foto. Calma, é só o primeiro dia. Como é ruim ser manteiga derretida desse jeito! Na verdade, nem sei se manteiga derretida. No fundo, aposto que não.

Penso em ligar para alguém. Algum dos amigos que não vejo há meses e de que, de um jeito ou de outro, sinto falta e me lembro sempre, no decorrer da vida longe. Chego a discar, ouço chamar, mas... hesito. Esse momento é seu. Volto às fotografias, aos sentimentos, ao pé descalço no sofá macio; à camiseta regata em um dia de inverno. Fico por ali dez, vinte, trinta minutos. As costas começam a doer, as fotos se tornam indecifráveis dado seu estado de deterioração e a falta de luz. A campainha toca; as compras chegaram.

Hora de desvencilhar-se de pensamentos, cheiros e sensações. O pé na terra volta à ativa. Por pouco tempo, espero, dada a fertilidade das férias.

sábado, 18 de julho de 2009

Casa no campo

Tulio longe das internets da vida.

Casa no campo.
Onde eu possa ver meus amigos.
Meus livros, meus discos.

E algo mais!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fim de semestre

Fins de semestre são sempre estranhos. Enigmáticos e nostálgicos. Cansativos e excitantes. Você agradece loucamente pelos momentos por que passou, as experiências que viveu, as pessoas que conheceu, a fase em que você está. O quanto você mudou, como é bom mudar e como a vida - e a USP - são um poço inesgotável de desafios. Que cabem a você encarar, decifrar e se deixar mudar.

E claro, olhar para trás e dizer: caramba!...

Ao mesmo tempo é tão nostálgico perceber que, sim, tudo passa rápido e jájá esses quatro aninhos e meio estarão no fim. Mas o melhor de tudo, apesar do cansaço, é poder pensar: semestre que vem tem mais. Mais pessoas, mais coisas pra viver, pensar, aprender. Mais mudanças pela frente, sempre.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Resposta

Minha resposta ao editorial de ontem da Folha de São Paulo, dia 2 de julho, sobre o fim da greve na USP:

USP

O “roteiro desgastado de sempre” das greves de funcionários, professores e estudantes da Universidade de São Paulo que o editorial do jornal Folha de São Paulo do dia 2 de julho aponta vai continuar sistematicamente se repetindo pelo simples fato de que na USP, assim como na sociedade brasileira como um todo, as raízes dos problemas – nesse caso, uma constituição estatuinte das mais anti-democráticas e uma estrutura de poder que mais lembra um papado – permanecem propositalmente intactas. Joga-se a sujeira para debaixo do tapete mais uma vez – para depois esse mesmo jornal voltar com seus “editoriais desgastados de sempre”, sem tocar no cerne principal das questões relativas à universidade.

Se desta vez a USP não passa por uma grave crise, eu lhes pergunto: é preciso uma crise para que se legitime o direito de enxergar problemas na universidade? O debate não encontra espaço na USP e as divergências, que deveriam ser celebradas, são encaradas como um problema – para a USP e para a sociedade como um todo. Há sim problemas crônicos na USP: não se permitir dar voz a quem quer se fazer ser ouvido. Se para a Folha, como foi dito no editorial, representatividade não é o “ponto principal”, então que não se julgue o uso do radicalismo como “principal instrumento de pressão” por funcionários e estudantes – a famigerada “minoria radical”. Um tanto quanto incoerente a posição do jornal.

É inadmissível que um punhado de professores titulares, que representam por volta de 1,5% da comunidade USP detenha mais de 75% das cadeiras do conselho universitário. É inadmissível que a escolha dos diretores de unidade tenha sua decisão final nas mãos da reitora. Democracia nunca é demais. Ou não deveria ser. E se o contribuinte mantenedor da USP é usado como desculpa para eleições diretas para reitor da USP não serem realizadas, caberia se levantar então a pergunta: até quando a USP será um feudo em que a maior parte dos contribuintes fica de fora em virtude das deprimentes condições do ensino público brasileiro? Isso sim é uma vergonha para o contribuinte que mantém a USP – e não eleições diretas para o cargo com máxima concentração de poder na maior universidade do Brasil.