sexta-feira, 3 de julho de 2009

Resposta

Minha resposta ao editorial de ontem da Folha de São Paulo, dia 2 de julho, sobre o fim da greve na USP:

USP

O “roteiro desgastado de sempre” das greves de funcionários, professores e estudantes da Universidade de São Paulo que o editorial do jornal Folha de São Paulo do dia 2 de julho aponta vai continuar sistematicamente se repetindo pelo simples fato de que na USP, assim como na sociedade brasileira como um todo, as raízes dos problemas – nesse caso, uma constituição estatuinte das mais anti-democráticas e uma estrutura de poder que mais lembra um papado – permanecem propositalmente intactas. Joga-se a sujeira para debaixo do tapete mais uma vez – para depois esse mesmo jornal voltar com seus “editoriais desgastados de sempre”, sem tocar no cerne principal das questões relativas à universidade.

Se desta vez a USP não passa por uma grave crise, eu lhes pergunto: é preciso uma crise para que se legitime o direito de enxergar problemas na universidade? O debate não encontra espaço na USP e as divergências, que deveriam ser celebradas, são encaradas como um problema – para a USP e para a sociedade como um todo. Há sim problemas crônicos na USP: não se permitir dar voz a quem quer se fazer ser ouvido. Se para a Folha, como foi dito no editorial, representatividade não é o “ponto principal”, então que não se julgue o uso do radicalismo como “principal instrumento de pressão” por funcionários e estudantes – a famigerada “minoria radical”. Um tanto quanto incoerente a posição do jornal.

É inadmissível que um punhado de professores titulares, que representam por volta de 1,5% da comunidade USP detenha mais de 75% das cadeiras do conselho universitário. É inadmissível que a escolha dos diretores de unidade tenha sua decisão final nas mãos da reitora. Democracia nunca é demais. Ou não deveria ser. E se o contribuinte mantenedor da USP é usado como desculpa para eleições diretas para reitor da USP não serem realizadas, caberia se levantar então a pergunta: até quando a USP será um feudo em que a maior parte dos contribuintes fica de fora em virtude das deprimentes condições do ensino público brasileiro? Isso sim é uma vergonha para o contribuinte que mantém a USP – e não eleições diretas para o cargo com máxima concentração de poder na maior universidade do Brasil.

Um comentário:

Xenya Bucchioni disse...

eles SÓ editaram tudo que remetia a eles...mais um argumento para me deixar longe desses lugares.