quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Encontro

O vento frio que lhe arrepiava os pelos expostos em uma camiseta tão indesejavelmente de mangas curtas e os olhos azuis cor de piscina que o fitavam dedicados e emoldurados por cabelos louros bem naturais faziam-no sentir-se em um filme. Era como se a cena que presenciava com suas vistas fosse, de fato, uma fotografia nítida, clara, cuja câmera provavelmente estaria a tremer se dividindo entre sua barba mal-feita e os olhos azuis da garota que o encarava.

Era tarde. Havia poucas pessoas ao seu redor. Ela lhe perguntava, ele respondia com sinceridade. Era um questionário, desses inesperados, a princípio chatos e demorados. Ele, por mais que convencionalmente, sem saber o porque, parecendo negar-se a participar de tal questionário - sobre religião e espiritualidade - acabou cedendo. Sentaram e se encararam por alguns segundos. Ela lhe mostrou algumas fotos. Lindas, coloridas, fortes.

Ele a ouviu falar sobre suas crenças. Com tanta firmeza! Por mais que discordasse de tudo que lhe era dito - sempre fora cético para esse tipo de coisa - não conseguia deixar de admirar sua determinação. Seu empenho, sua coragem. Afinal, não era fácil estar em outro país para pregar algo que se acredita, pensou. Se já é difícil no seu próprio país! Respeitou-a e respondeu direitinho a tudo que ela queria saber.

Sorriram, deram as mãos, desejaram-se boa sorte. Encorajaram-se. Lançaram apostas, daquelas inacreditavelmente verdadeiras, sobre seus respectivos perfis. Seguiram seus caminhos, diferentes, mas com um ponto comum que, acredito, nenhum dos dois poderia deixar de esquecer: acreditavam, acima de tudo, neles. E nesses encontros, aleatórios, significativos e, acima de tudo, rápidos. Tudo não durou mais do que dez minutos.

Um comentário:

Mikaellis disse...

Desses tive muitos. O mais recente sobre uma estranha, uma noite, uma calçada.
Acho que antes da gente se identificar com as idéias de uma pessoa, nós nos identificamos muito como ela mesma. O ser humano tem uma estranha ligação que nos faz entender em parte um ao outro mesmo que não tenhamos as mesmas experiências ou opiniões.
Algo da alma talvez, talvez, talvez...