sábado, 29 de agosto de 2009

Extâse da tarde

A chave penetrou a fechadura e não precisou ser girada; a porta estava aberta. Dentro da casa, silêncio. A sala, toda iluminada de um resto de sol preguiçoso e expansivo, o convidou sem demoras para ali permanecer. Tirou a camisa suada, arregaçou as calças ate os joelhos, apertou play. Deixou a bossa nova tocar e tocá-lo.

Deu, a princípio, alguns passos tímidos, lentos. Sorrisos estremeados, algumas palmas aleatórias, uma sensação quente. Boa, gostosa, de felicidade. De completude, de sinuosidade, de contradição, de juventude, de tempo, de praia, de Rio de Janeiro, de infância, de pai de calção e mãe rindo de cabelos molhados, de irmã ainda pequena. Tudo enquanto contemplava a vista. Aquela vista de tantos segredos e tantos sentimentos!

Ela era brilhosa, azul, verde, cantava com os passarinhos, sambava com o vento da tarde, mandava a poluição embora. Ria-se sozinha. E o fazia rir. Deu mais alguns passos na sacada; logo, girava de braços abertos e os galhos começaram a se mexer sozinhos.

Era um extâse da tarde. Simples e bonito.

2 comentários:

Alice Agnelli disse...

simples e bonito como vc consegue colocar instantes de felicidade em que lê as suas palavras.

acho que já não é a primeira vez que digo isso.

talvez minha repetição sirva como um aviso para que você sempre, sempre continue a escrever assim - tão leve, tão belo, tão solto - e continue trazendo felicidade para quem anda por aqui, com você.

obrigada, tulito.

Maria Joana disse...

consigo ver, te ver por ali

^^

lindo!