segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Percepção

Swann achava em si, na lembrança da frase que ouvira, nas sonatas que mandara tocar para ver se acaso descobriria, a presença de uma dessas realidades invísiveis em que deixara de crer.[...] E o prazer que lhe dava a música...assemelhava-se...ao prazer que sentiria ao experimentar perfumes, ao entrar em contato com um mundo para o qual não somos feitos, que nos parece sem forma porque nossos olhos não o percebem, sem significado porque escapa à nossa inteligência e nós o atingimos por um único sentido.[...]Todos os encantos de uma tristeza íntima, era a eles que ela tentava imitar e recriar, e até a sua própria essência, que consiste em serem incomunicáveis e parecerem frívolos a qualquer outra pessoa que não seja a que os experimenta, a pequena frase a havia captado e tornado visível.[...] Que belo diálogo ouviu Swann entre o piano e o violino no começo do último trecho! A supressão das palavras humanas, longe de deixar reinar ali a fantasia, como se poderia crer, a tinha eliminado: jamais a linguagem falada foi tão inflexivelmente fatal, jamais conheceu a tal ponto a pertinência das perguntas, a evidência das respostas.

Proust, "No Caminho de Swann"

Porque...

"O sentido do mundo está fora da linguagem, ele está no ontológico e não no lógico"

Merleau-Ponty

E...

"Percepção é sentida, vai além dos signos, como diz Merleau-Ponty, [vai] 'rumo ao silêncio deles' "
Ciro

Fim. Só para constar algumas frases que fiquei de completar!

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