domingo, 11 de outubro de 2009

Cor local


Há pessoas que florescem e há pessoas que desbotam. Há lugares que nunca mudam. Acima de tudo, há situações que parecem ultrapassar os séculos. Como o calor. As mulheres em seus devidos lugares; os homens e seus assuntos. O reacionário e o piegas. A ignorância e a insolência. As relações estabelecidas. As cartas marcadas. O inesgotável velho revestido de novo - nas formas de carros, roupas, salto altos.

Houve um tempo em que existira o nós. Em que existiram as possibilidades de mudanças, os sonhos, os sentimentos, a paixão. Agora não haviam sequer olhares. Triste? Frustrante. Não que se esperasse que as coisas voltassem a ser como antes depois do antes ter sido posto no purgatório. Mas, era como já dizia sua mãe: a pior coisa do mundo é frustar-se com as pessoas. É quando a graça chega ao fim, quando a paciência impõe limites, quando a consideração deixa de ser prazerosa e se torna um pesar.

Quando os olhares, que se cruzavam incessantemente e, ainda traduzindo o de sempre, o velho conhecimento insuperável, entram no jogo de aparências dominante. Aí, tudo está perdido. Porque o nós, que ainda existia involuntariamente, é posto em prova, de uma vez por todas e, por mais que tudo não precise fazer sentido, as feridas estão abertas.

Certas competições, maneirismos e imaturidades já não fazem mais sentido. Certas ambiguidades não cabem mais. É quando tudo parece derreter e o que sobra é você e suas certezas, afinal, por mais que doa ou que clame saudades, nada é definitivo. Ou, em outras palavras, tudo é subjetivo.

3 comentários:

Alice Agnelli disse...

de fato, a pior coisa do mundo é frustrar-se com as pessoas.

e eu tenho me frustrado bastante, ultimamente.

(sorte que ainda existem aqueles que são infrustráveis, como você =)

Ana Paula Saltão disse...

Dá pra aprender a lidar com as frustrações. Só que desbota...

Silas Luiz disse...

seu texto me fez lembrar uma expressão usada uma vez por uma amiga e que me fez e faz pensar em muita coisa - 'solidão a dois'.