quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Almodovár Vermelho



Definitivamente só agora entendi Volver, do Almodovár. Bem, por mais que a cada vez que você assista um filme novos significados e novas formas de se relacionar com o filme sempre surjam, acho que só agora passei a compreender melhor - e apreciar - Volver.

A história é forte e mesmo que tenha um certo apelo melodramático fantástico, a direção de Almodovár é tão precisa ao conduzir a narrativa que se torna possível se descolar da história iminente e passar a realmente problematizar o que é abordado em cena.

Ou seja, toda a situação de uma construção familiar, de costumes, de memórias, de traumas de infâncias, de segredos de família - e que família não tem os seus? - tudo envolvido em uma direção de arte fantástica em toda a sua simplicidade ao lidar com as cores. Nada nos ambientes em que são filmadas as cenas dos filmes de Almodovár soa impossível.

O trabalho de enquadramento de azulejos coloridos, frutas, legumes, cadeiras e outros objetos é extremamente detalhista, sem, no entanto, tornar-se inverossímel. Pode-se dizer o mesmo das personagens de seus filmes: gordas, magras, baixas, altas, velhas e novas. Sem nenhum apelo fora da realidade.

É incrível poder apreciar seu trabalho, um verdadeiro cinema de autor, identificar suas angústias, seu olhar atento e minimalista, seu toque para com a construção da sociedade espanhola e de suas relações sociais, sua crítica bem-humorada, sem mascarar-se. Um ótimo filme.

Um comentário:

Clara disse...

Adoro esse filme! É o meu preferido dele - pelo menos dos que eu assisti hehe. Vc viu "abraços partidos"? achei bem ruim...

E a história é forte mesmo, me lembra um livro do Gabriel Garcia Marques! E a Penelope Cruz é demais, né...

beijos, Tulito, saudades!