domingo, 6 de dezembro de 2009

Irmãos



Abriu a porta da geladeira e, em vez de localizar a caixa de leite que procurava, deu de cara com sua irmã. Em formato de sensação, sentimento e pensamento. Pegou-se se questionando: estaria indo, dali a duas horas, para a casa de sua irmã, que mora há seis anos em Bauru, interior de São Paulo. Até aí tudo bem. Tudo ótimo, aliás.

Mas a coisa foi um pouco mais além, em toda a profundidade surpreendente - e perturbadora - de segundos efêmeros parados em frente à geladeira para achar a caixinha de leite. Caramba, será que há dez anos atrás eu poderia esperar por isso? Eu, morando em São Paulo, já há dois anos, e minha irmã morando em Bauru há oito anos. Nós nos visitando, se ligando todas as semanas. Estando longe um do outro. Crescendo.

Foi um pouco assustador. Há pouco tempo morávamos juntos, éramos crianças. Tinhamos milhões de dúvidas idiotas sobre o futuro - não que elas ainda não tenham desaparecido. Mas gostávamos de especular sobre o futuro. E sobre sair de uma certa cidade. E agora, aqui estamos. Incrível. É super legal e, de repente, por alguma circunstância xis poderia ser tudo diferente. E, também, muito legal.

Bom, o fato foi que, depois daqueles segundos, de muita pressa, afinal já estava atrasado para pegar meu ônibus, o que me peguei pensando foi: aonde estaremos daqui a dez anos? Como? Com quem? Não gosto muito das previsões, mas não deixo de ficar curioso de qualquer jeito. Ainda mais quando se trata de alguém que é, digamos assim, a sua outra metade.

2 comentários:

dedacleda disse...

Lindo texto! Adorei, mas sou suspeita para falar pois parte essencialmente interessada...rsrs
Bjos saudosos
Deda

Tulio Bucchioni disse...

hahaha...pois é! vc não vale, deda!
bjosbjosbjos!