segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Boa educação



Uma movimento de retorno e reciclagem, reciclagem e retorno interminável. Um rodamoinho em forma de espiral. Uma surpresa após a outra. É assim que enxergo Má Educação, de Almodóvar. Simplesmente de cair o queixo!

E absolutamente autobiográfico, claramente como água. O que me impressiona é pensar que o filme é capaz de escancarar o que move o diretor de uma forma simples e objetiva: "filmar com paixão", como nos é descrito em sua cena final. Ou seja, que venham todos os revezes que a vida é capaz de trazer - e trará - pois, caso você faça algo com paixão, algo que te nutra e não te torne dependente, sem, obviamente, cair em um individualismo egocêntrico - muito pelo contrário, a paixão que te motiva a querer produzir para os outros - tudo estará seguro.

É essa a imagem que o filme me passa. Pois desde o começo a vida de Enrique ou de Almodovár, por certo, foi marcada pelo desafio e pela transgressão. Que seja só no ato de pensar - a transgressão que fica só na cabeça, azucrinando, muitas vezes é das mais dolorosas.

Interessante pensar em todos os contornos que as personagens ganham ao longo do filme, deslocando-se na mente do espectador o tempo todo, ora em situações favoráveis, ora em situações deploráveis, sem, no entanto, se revestirem em nenhum momento do longa de alguma forma de maniqueísmo.

No mais, vale destacar a cena da piscina por sua direção e fotografia apuradíssimas, espantosamente originais, sua sensualidade tremenda e sua inquietação. Incrível pensar também no tato do diretor para novamente tematizar de uma maneira tão natural camadas marginalizadas da população ou, se não marginalizadas de fato, pessoas que vivem à margem do senso comum.

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