terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Pulsação cinza

Não por acaso tem a cara de São Paulo. E as cores, o asfalto necessário, o figurino, os personagens, o trânsito. O clima de uma metrópole fascinante. E também toda a sua tristeza e deslumbre na impossibilidade de conhecê-la e, de fato, sentí-la. Para que abarcar tudo sempre? É a lição que fica...

Pedro e sua namorada são um desses casais que você que mora em São Paulo pode encontrar por aí, na esquina da sua casa. Moram juntos, no centro. O afago de suas carícias, de seus pijamas e de sua cama desarrumada lembra um dia de chuva, uma tarde, um domingo em São Paulo. Ele tem um hobby; ela, uma coleção de livros. Ele usa somente roupas em tons sem vida; ela tem cabelo curto.



É incrível como todos aqueles ambientes mostrados no filme, de apartamentos largos, com portas antigas, vidrais e piso cinza chamuscado dizem tanto em tão pouco tempo. De tão rápido, não chegam a dizer, atingem logo o sentimento e, antes do sentimento, o olfato.

É como se eu pudesse estar na cidade, usando todas aquelas roupas de frio em um dia de junho, o vento gelado em meu rosto, as pessoas à minha volta, parecendo interessantes em seu aspecto antigo e moderno ao mesmo tempo. Definitivamente, decidido. É como se eu voltasse à minha infância e ao tempo e às sensações antigas.

Uma certa angústia é gerada no filme. Seja por seus incidentes, seja pela cidade e seu tamanho monstruoso oprimindo os seus habitantes. Dá vontade de conhecer os apartamentos do centro, de andar, de saber a história, de conversar com essas pessoas e desvendar o seu exterior.

Com sua câmara aguçada, de ângulos audaciosos, tomadas totalmente simples e criativas, o diretor consegue criar um filme bastante arrojado. A pergunta que fica é: será que de fato, meu olhar ou olhar de qualquer pessoa que more em uma cidade por mais de um ano consegue resistir às tentativas de colonização da mente frente a novos olhares e significações?



Porque, para ser sincero, a meu ver é isso que faz qualquer cidade do mundo ser o lugar ideal para se viver. Simplesmente, sua pulsação.

2 comentários:

Alice Agnelli disse...

Outro dia eu estava falando de como gosto de São Paulo. E que se fosse para mudar daqui, teria que ser para alguma cidade com tanta pulsação quanto essa.

Eu achei que tinha visto esse filme, mas acho que me enganei... Vou ver se vejo.

Saudade de vc, tulito.
de verdade.

(ah! conheci sua casa ontem. Só digo uma coisa: a-ni-mal!)

Xenya Bucchioni disse...

Seriam, neste caso, os olhos as janelas da alma? Não basta ver. É preciso sentir..e isso é para poucos, infelizmente.