sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Lembrança

Estava sentado e voltara a ter cinco anos. A luz, fraca, mal dava para iluminar a tela do projetor da sala de aula. Ao meu redor, somente pessoas falando inglês. Dentro de mim, algo bem diferente: um sentimento simples, pequeno, um fiapo de lembrança. Confortável e quente, em toda sua intensidade que me tomou com desproporção em relação à vontade de me lembrar de mais.

Tentava não piscar ou não fechar os olhos para que aquilo que eu sentia não escapasse no ar, como uma fuligem, ao menor sinal de um movimento de algum colega de sala. O professor falava; eu não escutava. Lembrava do tempo frio, como hoje, do agasalho de algodão com elástico, como este, das crianças da escolinha ao meu redor e suas lancheiras, da sensação do final da aula, em uma sexta-feira no final da tarde, como esta.

Pude sentir a minha volta para casa. A insegurança do final de semana que me amedontrava todas as sextas-feiras, por me afastar dos coleguinhas e, de certa forma, representar uma ruptura em minha pequena rotina, misturada à sensação de carinho e de proteção que a imagem de meus pais em minha mente representava. A sensação de chegar em casa, tomar um banho, tomar a janta carinhosamente arrumada, deitar ainda com os cabelos molhados para assistir TV. Brincar um pouco com a irmã; dormir e acordar cedo no dia seguinte, esperando por um café da manhã com pão, manteiga e leite quente.

Tudo isso me invade, assim, às vezes. Em forma de cheiros, de sentimentos e de sensações. Em forma de frio na barriga. Em forma de frio. E em forma de vento.

Definitivamente, em forma de São Paulo, há uns quinze anos atrás.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Farkas



Volta à tão amada rotina.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Interpretando



Hoje reassisti na TV ao filme A Interpréte, de 2005, do Sydney Pollack, com Sean Penn e Nicole Kidman. Engraçado, apesar de detestar o final do filme, alguma coisa nele se torna interessante para mim a cada vez que o vejo.

Talvez seja a combinação de África, cultura, problemas políticos e sociais e essa coisas das línguas do mundo. Essa possibilidade de contato com novos significados, novos sons, novas crenças. Esse contato com outros mundos.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

500 dias com ela



Summer é o tipo de pessoa enigmática. Difícil de se lidar. Ou difícil de se esperar muito. Aquele tipo de pessoa absolutamente enigmática em toda a força de sua individualidade, em toda sua especifícidade; seus gostos musicais, a maneira como se veste, seu corte de cabelo, suas opiniões decididas. O tipo de pessoa encantadora por transbordar segurança. E autenticidade - isso tudo, claro, para aqueles que estão à procura de algo que fuja de um modelo convencional.

Tom se apaixona por Summer desde o momento em que a conhece. Figura dócil, ingênua; no começo do filme, quase infantil. Idealiza as mulheres e faz o perfil do cara que se apaixona fácil. Acredita, sobretudo, no amor. Eis que acaba ficando com Summer em uma relação que ela prefere manter ao estilo casual. Nada de relacionamento sério. Como percebemos no decorrer do longa, uma relação dela com ela mesma. Daí em diante começa sua glória e desgraça: 500 dias de amor, momentos incríveis e também de muita tensão, angústia e auto-conhecimento.

500 dias com ela vale a pena ser visto. Desde seus pressupostos bacanas - e verossímeis, o que é bastante importante atualmente quando se trata de comédias românticas - de jovens complexos, de carne e osso, em busca de uma relação sem saber de fato o que esperar dela, flutuando ao acaso, até todas as consequências da transitoriedade da vida que leva as pessoas para lugares e comportamentos talvez imprevisíveis em outros momentos.

O que se destaca no filme é a naturalidade com que a idealização versus o peso da realidade, em que não necessariamente o amor é correspondido, é abordada. É incrível notar a evolução de Tom no decorrer do filme, de menininho que se apaixona por uma garota de presença a homem que passa a tomar decisões e de fato guiar sua vida. Summer hipnotiza no longa. Mas, no entanto, não deixa de decepcionar quando, assim como na vida real, descobrimos que, por mais estranho que pareça, nem toda essa autenticidade e segurança são suficientes para se viver a vida de verdade. Talvez falte um pouco de simplicidade. Ou até mesmo de humildade.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Cidades


Ando pensando nas férias. Na noite, no parque, no vento e no calor abafado - um tanto quanto familiar. Até o percurso, as pessoas caminhando com suas roupas de ginástica; o meu objetivo final: a academia como um contraponto à falta de exercícios na cidade grande. É gostoso.

Agora à noite tudo muda: entro no computador e com um clique me sinto em casa novamente. Os blogs e sua pulsação, as entrevistas com personalidades de quem eu ouvi falar, admiro, mas não sei bem concretamente a razão, o email e toda a sua acumulação de chamados. Que me retornam à ativa, me levam à reflexão, me trazem desejo de produzir. À juventude e à vida.

As artes, as fotografias, o teatro. A cultura. O elo entre esses dois mundos. Agora, o cinza. Talvez, mais tarde, o bucólico. A saudade, sempre. De um e de outro.