sábado, 6 de fevereiro de 2010

500 dias com ela



Summer é o tipo de pessoa enigmática. Difícil de se lidar. Ou difícil de se esperar muito. Aquele tipo de pessoa absolutamente enigmática em toda a força de sua individualidade, em toda sua especifícidade; seus gostos musicais, a maneira como se veste, seu corte de cabelo, suas opiniões decididas. O tipo de pessoa encantadora por transbordar segurança. E autenticidade - isso tudo, claro, para aqueles que estão à procura de algo que fuja de um modelo convencional.

Tom se apaixona por Summer desde o momento em que a conhece. Figura dócil, ingênua; no começo do filme, quase infantil. Idealiza as mulheres e faz o perfil do cara que se apaixona fácil. Acredita, sobretudo, no amor. Eis que acaba ficando com Summer em uma relação que ela prefere manter ao estilo casual. Nada de relacionamento sério. Como percebemos no decorrer do longa, uma relação dela com ela mesma. Daí em diante começa sua glória e desgraça: 500 dias de amor, momentos incríveis e também de muita tensão, angústia e auto-conhecimento.

500 dias com ela vale a pena ser visto. Desde seus pressupostos bacanas - e verossímeis, o que é bastante importante atualmente quando se trata de comédias românticas - de jovens complexos, de carne e osso, em busca de uma relação sem saber de fato o que esperar dela, flutuando ao acaso, até todas as consequências da transitoriedade da vida que leva as pessoas para lugares e comportamentos talvez imprevisíveis em outros momentos.

O que se destaca no filme é a naturalidade com que a idealização versus o peso da realidade, em que não necessariamente o amor é correspondido, é abordada. É incrível notar a evolução de Tom no decorrer do filme, de menininho que se apaixona por uma garota de presença a homem que passa a tomar decisões e de fato guiar sua vida. Summer hipnotiza no longa. Mas, no entanto, não deixa de decepcionar quando, assim como na vida real, descobrimos que, por mais estranho que pareça, nem toda essa autenticidade e segurança são suficientes para se viver a vida de verdade. Talvez falte um pouco de simplicidade. Ou até mesmo de humildade.

2 comentários:

Alice Agnelli disse...

queria fazer um comentário inteligente a respeito do seu texto, mas como eu nunca faço comentários inteligentes e sempre paro aqui só pra elogiar (porque depois de ler eu sempre fico sem saber o que falar) - aí vai: outro elogio.

gostei muito da forma como vc viu esse filme e o transformou nessas palavras. quando eu assisti, saí do cinema meio balançada, acredita? me vi várias vezes na summer, enquanto preferia ter me visto mais no tom. não que eu tenha me identificado todatodinha com ela, mas bastante. bastante até demais.

e sabe por quê? acho que vc descobriu perfeitamente e soube traduzir os dois nisso: flutuar ao acaso.

espera, não. nao sei se chego a flutuar. talvez mais a me perder.

ih, tulio, volta logo, me chama pra sua casa, prepara aquele macarrão que temos muito o que conversar.

saudades.

Tulio Bucchioni disse...

hahaha!

saudades de vc tbm!!!!e das divagações ao jantar!haha

pois é, eu na vdd enxerguei várias coisas e pessoas na Summer...foi um pouco estranho...mas com um certo tom de "melancolia contida", como um amigo uma vez me disse...eu admiro a sua força mas, ao mesmo tempo, tenho pena da forma como ela olha com frieza para algumas coisas na vida que deveriam ser leves!