sábado, 24 de abril de 2010

Meninos não choram

Meninos não choram é desértico em meio ao oásis, é brusco, é doído. É caricatural em toda a sua triste verossimilhança. É também interior - geograficamente. Bate forte em nossa incapacidade de aceitação, em nosso egoísmo, em nossa opressão. Em nossa maldade. Digo tudo isso no plural porque, enquanto sujeito ativo do macrocosmos social, ninguém consegue se livrar desta pecha. Estamos aí e respondemos sim pelo que é construído na coletividade.

Na verdade, ainda não sei muito bem o que escrever. Sei que sinto vontade e que preciso escrever sobre isso - talvez para aliviar a culpa que senti ao assistir ao filme...A culpa por essa mediocridade, por essa crueza.

Sempre me vem à cabeça a figura onipresente de nossos padrões sociais dominantes. Em formas de images, olhares, gestos e trejeitos. É Bertold Bretch quem usa dos gestos para compor os personagens de suas peças. Os gestos dialéticos de Bretch, aqueles que mostram muito mais do que sua superfície; vão fundo, evocam as profundezas e oposições constitutivas do ser. É a eles que me reporto quando menciono essa coisa dos padrões sociais dominantes.

O filme é um retrato fiél da opressão de nossa sociedade no que se refere ao livre desenvolvimento de nossa sexualidade. Desde muito cedo, sabe-se como se portar, sabe-se como se expressar, quais verbos escolher, quais palavrões citar, sabe-se como se vestir. Sabe-se qual é o seu papel social esperado; tudo, é claro, de acordo com seu sexo. Os limites e as possibilidades. Um jogo de cartas marcadas.

É sobretudo importante que filmes como este venham à tona e contem histórias reais como a de Brandon, brilhantemente interpretado por Hilary Swank. O registro histórico nos alivia para que um dia seja possível olhar para trás e enumerar os absurdos que marcaram nossa evolução enquanto humanidade.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Janis


Janis, por sua autenticidade.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Deslocamentos

E quem já não teve um deles? Ou não os sentiu? Deslocamentos de cidades, de casas, de ambientes, de climas, de sensações, de segurança, de amizade, de palavras. Quando você sente vontade de escrever, mas não consegue. Em português, inglês ou francês. Riem.

Quando o tempo te comprime e você se sente sufocado. É triste. Mas também pode não ser. É o que sempre tento pensar, afinal, somos nós quem damos corda a tudo que fazemos. E ao que somos e ao que queremos. É que, sabe, às vezes, é difícil. Realmente.

Mas bem, nada como uma soneca, um filme, a arte. O lúdico, o poético, o que há de lindo em cinco minutos de descanso entre esse compromisso e o próximo. Pois é, temos essa capacidade. Que deveria ser exercida mais vezes.