sexta-feira, 14 de maio de 2010

Para alguém que já existiu




Vá embora, eu lhe peço. Mas nunca ouse sair das minhas memórias.

Ouse mudar, ouse crescer. Ouse amadurecer. Mas não desaparecer.

Que se consiga, um dia, olhar e não enxergar. Ou olhar e enxergar o que sempre esteve ali e há muito vem sendo sentida a falta. O que sempre esteve ali e que, hoje, é quente e abstrato. É uma gota e um oceano. Quente ao escorrer por entre as bochechas; fria em toda a dimensão e profundidade do oceano que se perdeu. Ou melhor, que se criou, que se reinventou, se transpôs e agora cumpre o seu avesso: a distância que se firmou.

Que venha mais e melhor. Sempre.

Inevitável dizer, inevitável pensar. Admitir, para si mesmo, o mais difícil. O que quer que vier, necessita de muito para sequer alcançar toda a amplidão do que foi vivido. Maior: do que foi sentido e, abstratamente e simbolicamente, continuar lá.

Infinito, em toda a sua finitude.

Um comentário:

Ana Paula Saltão disse...

Tudo que eu espero é que essa guerra valha a pena, Tulito.
Tô com tanta saudade!

Ah, quanto a esse seu post, venho digerindo suas palavras faz tempo. Me senti tão, sei lá, tocada por elas, tão em sintonia. Lindo!

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