segunda-feira, 21 de junho de 2010

O dia laranja

Durante aquele final de tarde, não soube dizer se era luz, sol ou bossa nova. Poderia ser os três; uma mistura. Era certamente uma intensidade. De passado e presente. Juntos, numa mistura que não era nem um, nem outro. Era mais, talvez, o futuro.

Sentou-se e pôs-se a escrever. De fora, espiavam pulando. O cachorro aos gritos com os assobios e o deitar da tarde. Tudo estava laranja. As camas, um pouco desarrumadas, o chão liso, com espaço suficiente para se sentar, sentir a brisa, deitar o peso do caderno nas pernas desnudas, apalpar a caneta no chão. E se entregar - naquela sensação, algo nostálgica, algo verão, algo infância, algo momentos interrompidos. De uma individualidade definitivamente sua.

As nuvens pareciam mover-se; não no espaço, mas em cores, mesclando-se em uma espiral laranja. As pessoas, pela casa, acima e abaixo, pés nos chãos, vai e vem, chegada e saída. Mais vivas, com a casa que se expandia a cada nova investida do sol por entre suas frestras. Era cedo e não parecida tarde desta vez. O tempo, o sentimento, o clima, tudo era especialmente seu.

Momentos de nostalgia, de complexidade em um todo simplificado. Certezas em meio ao tempo de outrora: certezas na incerteza da selva de pedra. Vamos lá.

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