sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ahmadinejad na ONU

Hoje li um artigo da Folha comentando sobre a ida do presidente do Irã, o Ahmadinejad, à Assembléia Geral da ONU. Confesso que sempre achei o cara meio porra-louca e inconsequente, mas, gente, preciso dizer que sua fala tinha sim muita coerência.

Um de seus ataques foi ao fato de que, desde 2001, famílias, crianças, mulheres, homens, festas, bares, escolas, casas, cemitérios, em suma, tudo, foi atacado impiedosamente, no Afeganistão e depois no Iraque. Mesmo sem armas de destruição em massa, com o consenso de boa parte do mundo - obviamente das potências européias ditas "diplomáticas" e "democráticas". Ou seja: por 3000 mortos no 11 de setembro, somaram-se em troca centenas de milhares no Afeganistão e no Iraque. E a mídia e o mundo não dá 1/20 da atenção que se dá ao 11 de setembro nos EUA a esse fato...Vergonha do jornalismo e do mundo nesses momentos...

Óbvio, não?! Não haviam torres gêmeas em Cabul ou em Bagda, engravatados, pessoas de língua e sangue anglo-saxão, riqueza, atenção, status, capital concentrado. Pois é, fato triste e sintomático da hipocrisia do mundo em que vivemos. E também de suas inversões, dentre elas o fato de se elocubrar - sempre propositadamente, é claro - em cima da figura de um presidente e sua periculosidade enquanto o que há de muito pior é feito por baixo do tapete. E em nome da pobre da democracia...Os gregos se reviram nos túmulos.

Não se trata de defender alguém aqui. Destruir Israel, como propõe Ahmadinejadi é tanto uma resposta inconsequente e sangrenta como entrar em guerra - ai, guerras! - com Afeganistão ou Iraque. É uma questão de bom senso...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dentro do carro




Estávamos sós. Entre suspiros e receios, em uma tarde, assim, sem nada a fazer, andando dentro de um carro que se locomovia devagar. A canção ao som, doce e carioca, areia frente ao mar de Copacabana, era antiga, quente e suave. Vento em cabelos duros depois de um longo dia de mar. Por do sol sozinho em um abraço de duas pessoas - juntas.

Era como uma lembrança. Saudosista, não se sabe bem por quê, nem de quê. Sabe-se que, agora, essa visão e lembrança soa melhor e mais completa do que aquilo que fora vivido. A vida nos prega peças. E nos prepara, mesmo que inconscientemente, para aquilo que há de vir. De melhor e de mais intenso. Mesmo que, toda vez que alguém ousar tocar aquela música de novo, não seja de outra pessoa, senão desta, que se há de lembrar.