quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Dia de inverno

Ainda ventava lá fora. Ela colhia plantas em sua horta, enquanto a brisa gelada batia-lhe o rosto e fazia tremer algumas mechas soltas de seu cabelo. Era o inverno e a sensação de vestir mais de uma blusa e lançar-se ao relento lhe fazia prazer. O cheiro do mato recém molhado também era estimulante - assim como o céu, cinza, em um ambiente pálido e vagaroso.

A ausência de perspectivas para o dia também não era incômodo, desta vez. Desfrutava de um daqueles dias em que tudo está bem e seguro. A tarde que caía cedia espaço para a incerteza da noite. Aspirava o ar gélido e o frio adentrava seus pulmões, tal qual o encanto da tarde era preenchido pela inexatidão da noite.

Respirava aliviada porque, dali a pouco, voltaria para dentro e então encostaria suas bochechas sob bochechas mornas, roçaria sua barba por fazer e aspiraria perfume em vez do
ar frio. Assim, tocando de leve cabelos seus. Acontecesse o que fosse lá fora, para sempre existiria dentro; conhecido, seguro, quente. Nem mais, nem menos. Apenas isso.

2 comentários:

Ana Paula Saltão disse...

Ai, ai... suspiro.

Zapiano disse...

Gostei do seu modo de usar adjetivos e de criar cenários e sensações...