sexta-feira, 13 de maio de 2011

Abra um parênteses, não esqueça

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta

O tríplice mistério do "stop"
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

O mistério do Planeta - Novos Baianos

Estávamos um pouco altos – não sei se de bebida ou de excitação. De tamanho, com certeza. Nos expandiamos enquanto flutuavamos. Dançavamos, davamos piruetas, batiamos o pé com força no chão; antes, sorrisos de dentes esboçados e olhos semi-cerrados. A música tocava e as cotoveladas eram constantes. Os outros não entendiam – também pudera, ponha sua mão no gelo.

Na sala, lotada como nunca, olhares perdidos e suspeitos, conversas paralelas e segredos de sete chaves. Todos com sete vidas, assim como os gatos – para serem devidamente repetidos e nunca morrerem.Que rezem as lendas! E pensar por todos que passaram por ali e na gente que quase que se esquece que vai embora – ai meu Deus...

A uma certa altura, começam as declarações de amor: de como somos felizes, de como nos gostamos, de como estamos e somos parte de algo tão maior! E, se tudo der certo, tão longínquo. Do tamanho do fôlego de uma vida. Será?

Outro dia pensei: “não quero me lembrar da faculdade como a melhor fase da minha vida”. E não quero mesmo. Talvez isso tenha tudo a ver com toda a emoção de ontem – vangloriamos e nos lembramos com saudades de todos esses momentos de prazer como uma quebra. Como se, sim, depois da faculdade, você estivesse devidamente fadado à labuta pesarosa.

“É bom trabalhar o quanto antes, para se ver como a vida é dura”. É preciso trabalhar e é preciso sobreviver. Mas, não soa maluca uma sociedade em que o saudosismo é exaltado e a sentença de um futuro sofrível, reconhecidamente sofrível, é a máxima que nos guia? “Aproveite”, dizem com maus olhos. Ou com olhos de desdém.

Pois é, para mim, é como em Novos Baianos: trata-se de um encontro. De deixar e receber um tanto. Encontro com a vida, com você e principalmente com o outro. E há quem nunca vá entender; o que é mais triste, não para eles, mas talvez para nós. Porque já dizia Drummond, só quem vive à gauche sabe da liberdade e da dificuldade de se ser quem se é.

4 comentários:

Perna UFABC disse...

Bravo!

Rachel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rachel disse...

Muito bom! Adoro essa música dos Novos baianos. E como diz Caetano: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

Rick Whitehair disse...

MUITTO BOM!! hahaha gostei mesmooo
TExto mt rico haha e cheio de comentarios proprios. Realmente interessante o modo como pensa :)