segunda-feira, 9 de maio de 2011

A dor e o tijolo

Em um de seus melhores momentos, Reencontrando a Felicidade traça uma belíssima reflexão sobre a relação entre a dor e a passagem do tempo - o qual descobriremos ser o grande trunfo do filme ao cabo de seus noventa minutos de duração.

Diz a mãe de Becca (Nicole Kidman): “em algum ponto, torna-se suportável [a dor]”. E assim ela explica para sua filha - que ainda sofre a dor da perda recente do filho de quatro anos - que, inevitavelmente, a dor, assim como as lembranças e todas outras sortes de sentimentos de grande magnitude, é como um tijolo. Ele sempre estará em seu bolso e, se por um lado pode e irá certamente pesar de quando em quando, é ele também quem nos propicia um sentimento intenso de estar vivo. De existência que fustiga o coração e machuca a pele. E pode ser que seja bom e que seja preciso, muitas vezes, sentir-se mal para sentir-se vivo.

Do mais, o que fica em nossa cabeça é a força de um segundo transformador; para o bem e para o mal, a força que nos revela aquilo que preferencialmente poderia permanecer esquecido. Bacana também pensar em como a vida nos coloca a todo momento em situações e deslocamentos estranhos; não sabemos nem como, nem porque, mas vamos vivendo e percorrendo locais que não poderíamos imaginar vivenciarmos um dia.

Dessas duas pessoas em transição, fora do eixo, fica a mensagem bonita: o olhar que sabe-se e conhece-se e que, mesmo sem externalizar palavras, nos revela uma segurança e um sentimento capaz de transcender as piores das situações.

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