sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Maio de 68 - "É proibido proibir"


"Entretanto, é verdade, nós somos culpados de lhes fazer ter medo, de ter sonhado uma imaginação no poder e de ter reivindicado um mundo mais justo e mais solidário. Nós somos culpados de ter desejado lançar uma questão a qual vocês jamais souberam responder até hoje. 'É proibido proibir'. [...] Eu proibo o proibir mesmo reconhecendo a impossibilidade de proibir o proibido, mesmo sabendo que no fundo de cada indivíduo, o mistério do proibido se recoloca sobre nossa vontade de decifrá-lo lentamente, mas passionalmente e à loucura de nossos desejos mais profundos. A irrupção do desejo e da ironia no espaço político foi talvez o fato mais revolucionário dessa época"

"E eu?
Eu amei essa revolução. Loucura, contentamento e prazer. Revolta lúdica e delirante. Tenho diante de mim um trabalho de Sísifo: como contar, descrever, explicar a meu filho esse momento passado da minha história?"

Daniel Cohn-Bendit, líder estudantil francês, de origem alemã, um dos principais articuladores do maio de 1968 francês. Artigo pro livro "Mai 68", sobre a revolução que começou com os estudantes franceses ocupando universidades como Sorbonne e Nanterre, lançando barricadas nas ruas, agitando e unindo-se ao movimento operário - culminando com greves gerais de trabalhadores e ocupações de fábricas por todo o país.

Durante mais de um mês, a França parou. E tudo começou nas salas de aula - emocionante. No entanto, nem tudo foram flores. Para animar quem acha difícil ter esperanças, o título de um manifesto feito por estudantes da cidade de Strabourg, na fronteira da França com a Alemanha, no começo das manifestações:

"Da miséria do meio estudantil: considerado sobre seus aspectos econômicos, políticos, psicológicos, sexuais e principalmente intelectuais"


Pensemos um pouco. Quantas não foram e não são as probições, as mais banais e sutis e mesquinhas, a que fomos e somos submetidos todos esses anos em espaços pilares da sociedade, das casas às escolas às vilas e feiras?

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Por que não assisto novela

Chego em casa. Um pouco lento, um pouco desejoso de só me sentar no sofá. Depois de meses a fio desligada, eis que a TV dá sinal de vida. Aonde? Na novela das nove que acaba de estreiar.

Em menos de dois blocos, sou relembrado do por que não assisto TV - e de como sinto raiva de telenovelas.

Uma "mulata brasileira" toma banho de mangueira semi-nua no quintal de sua humilde casa em uma "favela"; semi-pornô, a negra - uma das únicas - em seu lugar cativo do imaginário branco elitista por excelência: fetiche dos machões casados com as senhoras brancas. Porque elas sim são boas de sexo e sensuais! Mesmo quando empregadas domésticas, não negam a sexualidade da raça, não é mesmo?

Mais um bloco e a madame, siliconada e com roupas decotadas, expõe o corpo-objeto enxuto para seus cinquentinha. Em pouco mais de um minuto, destila todos os preconceitos de classe possíveis de serem pensados: essa "gente", os pobres, não merecem a menor tolerância! Bando de imprestáveis sem classe!

Bem-vestido e bem animado, mordomo segue a madame para lá e para cá; passinhos curtos, bicos, caras e bocas. Voz engraçada. Uma figura; ah, quase se esquece, o rapaz não é um palhaço, é gay! E dizem que se envolve com algum dos figurões hetéros da história. Olha quanta modernidade na Globo?!

Desligo a TV e venho escrever; perdi o sono.