Depois de Feurbach, filósofos críticos(entre os quais, Marx) quiseram estender o mesmo esquema a outros fenômenos de abstração e de 'depossessão' da existência humana, em particular aqueles relacionados à esfera política, isolada da sociedade, como uma comunidade ideal onde os homens seriam livres e iguais. Mas, nos diz Marx nas 'Teses para Feurbach', a verdadeira razão dessa projeção não é uma ilusão da consciência, um efeito da imaginação individual: é a cisão ou divisão que reina na sociedade, são os conflitos práticos que opõem os homens uns aos outros, os quais o céu da religião ou da política ordinária lhes propõe soluções miraculosas.

Eles não poderão sair verdadeiramente dessa situação sem uma transformação de ordem prática, abolindo a dependência de muitos homens em relação a outros. Não é portanto a filosofia que acabará com a alienação(pois a filosofia não foi senão o comentário, ou a tradução, dos ideais de reconciliação da religião e da política ordinária), mas sim a revolução, cujas condições residem na existência material dos indivíduos e em suas relações sociais."
Étienne Balibar, "La philosophie de Marx".
Só um comentário: de acordo com Marx, a teoria se verifica na prática e a única condição para conhecer o mundo é transformando-o, de maneira a balizar a teoria em sua essência prática. Descontextualizando o trecho, o qual gostei muito, fiquei com a impressão de que poderia haver um engano no sentido de se pensar que o que importa é somente a ação prática imediata - leitura bastante equivocada e infelizmente muito recorrende em vários grupos políticos.
0 comentários:
Postar um comentário