sábado, 31 de março de 2012

Eleições do DCE

Eleições DCE Livre da USP (Resultado final)

Não vou me adaptar: 6964 votos (53%)
Reação: 2664 votos (20%)
Universidade em movimento: 2579 votos (19%)
27 de outubro: 503 votos (3%)
Quem vem com tudo não cansa: 250 votos (2%)

Brancos: 43 votos
Nulos: 136 votos

Total de votos apurados: 13139 votos

(Fonte: Jornal do Campus/USP)

Acabaram as eleições para o DCE da USP. Foi uma eleição tranquila em termos de problemas práticos, mas desgastante em termos de polarização política.

A nossa chapa, Não vou me Adaptar, composta pela unidade de três coletivos mais pessoas independentes - os coletivos, a saber, Juntos!, PSTU/Anel e Rompendo Amarras, sendo este último aquele de que faço parte - foi eleita para a maior entidade da organização estudantil na USP com um quórum histórico de 13 mil votos.

Essa gestão excepcionalmente mais curta do que todas as outras terá muitos desafios pela sua frente. O primeiro deles é de fato o de dar conta de sua proposta: uma unidade de amplos setores da esquerda uspiana. Setores estes que foram por anos gestões e oposições em diferentes momentos. Seremos bem sucedidos?

Só o tempo poderá dizer. No entanto, a certeza é apenas uma: o avanço incessante do projeto Rodas, mais recentemente expresso nos processos à diretoria da Adusp e na reforma da pós-graduação que prevê a privatização dos mestrados e doutorados, assim como o encurtamento dos tempos de pesquisa; a dificuldade de se recuperar a mobilização na USP neste ano, mesmo diante da organização histórica do semestre passado e de suas parcas vitórias concretas; em último plano, a organização de uma chapa de direita para o DCE financiada por partidos de direita e apoiada pela grande mídia, uma chapa com membros declaradamente homofóbicos inclusive; todos esses fatores tornam a necessidade de unidade da esquerda combativa em marcos consensuais mínimos senão uma imposição a todos que se indignam, ao menos uma tentativa de consequência por parte do movimento estudantil e, por que não, da esquerda brasileira representada nestes coletivos que atuam na USP.

Nesse sentido, é bom reconhecer tanto a fragilidade como a ousadia da nossa proposta. Assim sendo, temos um longo caminho de esforço pela frente, rumo à retomada das mobilizações na nossa universidade. E esse é o segundo, não em importância, nem em ordem, desafio que teremos: retomar os processos de mobilização na USP iniciados no semestre passado e agregar novos estudantes à nossa causa, aí inclusos os milhares de calour@s que não viveram o semestre passado na USP.

Mesmo soando pouco uma proposta de unidade dentro da esquerda combativa, acho que um bom paralelo é aquele que pode ser traçado com a situação nacional do nosso país: após oito anos de governo Lula e agora com o governo Dilma, quais foram de fato as conquistas da esquerda em nosso país? Não tivemos reforma agrária efetuada, pelo contrário, a cooptação de grande parte do MST pelas estruturas do governo federal, licenciamos desmatadores de nossas florestas via lei do código florestal, entregamos o tal projeto sustentável "Brasil-país verde" com o etanol no momento da descoberta do fabulo$o pré-sal, temos declaradamente uma política de repressão às greves de trabalhadores(o último caso, o dos bombeiros), não conseguimos debater a ditadura do nosso país sem que as Forças Armadas aliadas do governo federal não abram a boca para impedir quaisquer avanços, o investimento em educação pública continua nos míseros menos de 5% e a privatização do ensino segue de vento em popa via Prouni; kits anti-homofobia e comerciais anti-HIV destinados ao público LGBT foram vetados pela presidenta, a mesma que escreveu a "Carta para o povo de Deus" quando de sua eleição se prontificando a não descriminalizar o aborto...

E, mesmo diante desse panorama de derrotas para um projeto autêntico e verdadeiramente combativo em nosso país, ainda é difícil estabelecer uma unidade eficaz entre os setores da esquerda brasileira. Ou seja, o que se passa na USP é sim muito importante na microesfera do movimento estudantil uspiano e, mesmo que uma das hipóteses seja a da falência total dessa nossa proposta, deveríamos estar já satisfeitos é de acreditarmos na possibilidade de construção dessa chapa de unidade. Inclusive com setores da ultra-esquerda, que nada compartilham das nosso programa político e métodos, tendo declarado apoio e voto crítico à nossa chapa.

OBS: com relação ao apoio da Negação da Negação à Não vou me Adaptar, houve muita ironia - entre muitas outras situações lamentáveis - por parte de membros da chapa Universidade em Movimento. O que queria dizer é: o sectarismo não vai partir da nossa parte. Se há disposição para algum diálogo, para alguma mudança em relação ao fratricídio que são as assembléias gerais da USP, por exemplo, não somos nós quem vamos ser sectários com relação a esses companheiros, mesmo questionando as suas práticas políticas...Aliás, assim como não fomos quando propusemos unidade para os setores que compõem a chapa Universidade em Movimento.



domingo, 18 de março de 2012

Mágoa

Naquele dia, queria apenas ler algo bacana. Sentou-se, para depois deitar. Sobretudo, revirou-se, mais uma vez às voltas com velhos amigos sentimentos. Tomou chá e também café, antes de bolar seu costumaz cigarro. Tentava pensar no futuro, na juventude que ainda abunda, nos planos para o semestre, nas novas e instigantes perspectivas.

Relaxar e esquecer.

Obrigou-se.

O fracasso já não lhe era mais sina e nem podia mais ser pesado. E as memórias, estas que se danassem. Para que lhe foram suficientes? Talvez, por um motivo: para isentar-lhe da culpa.

Era preciso sair dali.

Fora uma tarde, aquela. As cervejas, que sobravam aos quartos, quentes dentro das latas, eram os fantasmas que lhe perseguiam em um fim de domingo. E quantas mais ainda não apareceriam até que tudo estivesse superado? Até que...

E no entanto - e sempre no entanto - surgiam as dúvidas e as angústias. E a coisa toda de bêbado.

Ah, a redenção. Ouvir a música ou estar em silêncio. Em silêncio, um dia.