quarta-feira, 2 de maio de 2012

Achado

Revendo as postagens do blog, eis que me deparo com as tais "ferramentas do google" que demonstram quais foram os textos mais lidos, os mais comentados, quais dias o blog teve mais visitas, quais meses ficou na pindaíba. E eis que, em meio a esse caos não familiar, me deparo com algo de que gosto. Verdade seja dita: há muito de mim que está aí e que ficou para trás, ainda bem. No entanto, prefiro não cuspir no prato em que comi. Há de se encontrar ecos ou reverberações desse texto em algum aspecto de mim...Bons tempos, aqueles em que escrevia com entusiasmo!

Sobre relações assimétricas - 07/09/2009


Ouvi dizer de alguém muito querida que todos os relacionamentos são assimétricos. Se não o são agora, serão em alguma fase. Porque sempre alguém tem de gostar mais do que o outro.

Amizades podem ser assim: há sempre o caso daqueles que ligam e dos que recebem as ligações. Os que são admirados e os que admiram. Os que dominam e os que se sujeitam. Há também o caso daqueles que contam tudo e não ouvem nada. O dos que ouvem e não se abrem. Ou dos que não contam e nem ouvem. Funcionam como grandes bolhas fechadas em que o mundo já não pode mais atravessar.

Há ainda o caso dos encontros fortuítos, cheios de entrega e intensidade, onde grandes caixas de diálogo parecem se abrir espontaneamente e sobrevoar nossas cabeças; mas que, na verdade, acabam por acontecer com menos frequência do que desejamos. E nem sempre a culpa é nossa. Muitas vezes é do tempo. Da falta dele que nos leva a bloquear tentativas aleatórias que irrompam no meio de uma rotina já demarcada. Porque às vezes, mesmo que involuntariamente, nos fechamos ao inusitado. O que é uma pena, diga-se de passagem.

No amor a coisa parece ser ainda mais engraçada - ou sádica, leia-se como quiser. Quem nunca conheceu alguém que praticamente não vivesse sem o outro? Ou alguém cuja identidade já não se reconhecia mais, de tão borrada? Quem não viu pessoas reluzirem e apagarem em uma rapidez absurda?

Por outro lado, quantos são os que de fato sabem que não sabem o que querem? E nesse meio tempo, o do não saber, levam a energia e o gosto de si próprios e, pior, de seus companheiros. Há também aqueles que não se valorizam e ficam a mercê de, bem, pessoas que têm a sorte de tê-los e o azar de serem quem são. Há também os que se doam, sem medo. Pegar ou largar, sempre do mesmo jeito.

No fim, eu me pergunto, porque as pessoas - e nelas eu me incluo - reclamam tanto de tudo! Se, mais no fim ainda, tudo não passa de uma mesma música, que perpassa a vida de todos, em alguma fase da vida, e cujas grandes possibilidades só nos basta enxergar?

Porque se é pra viver, que seja de verdade. E de preferência, com simetria.

Um comentário:

Ana Paula Saltão disse...

Eu lembro desse com amor.

(: