quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Identidade fragmentada

Uma vez vítima de violência física, essa mulher já sofreu todas as etapas da humilhação social, violência psicológica, moral e patrimonial, é uma mulher com identidade fragmentada, muitas vezes com baixa auto-estima e devemos frisar aqui que essa vulnerabilidade independe de classe social.
Relatório do seminário de gênero da Fitert

Identidade fragmentada.
Identidade fragmentada.
Identidade fragmentada.

Pense em suas mães.
Pense em você.

Opressões: vocês não passarão e vão acabar!

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Assalto

Voltava para casa, ontem à noite, depois de um prazeroso encontro com a Karina, amiga com quem eu morei junto ano passado e que acaba de chegar no Brasil e fui surpreso. Já estava próximo da minha casa quando, de repente, uma moto em alta velocidade dobra a esquina e vem em direção a mim. Assalto, pensei. Mas não, não pode ser. Dois assaltos em menos de dois meses é demais. Não deu outra. Fui assaltado, nada aconteceu comigo, mas meu celular e minha carteira, com cartão, sem dinheiro - a parte boa de andar sem grana - meu VR e minha carteirinha da USP foram roubados.

Diante da cena e situação concreta, me peguei pensando: o que fazer?! Mudar de casa? Não andar mais sozinho? Não sair mais à noite? Andar de táxi? Nada disso...Mudar de casa, talvez, no ano que vem, porque já não quero mais morar no Butantã. E sim, um dos critérios vai ser escolher um bairro e vizinhança mais agitados, para me sentir mais seguro. A velha máxima do espaço público desocupado que é violento, é verdadeira. Voltar de táxi quando estiver sozinho e for tarde da noite? Talvez...

No entanto, o que me pega é como a questão da segurança está ligada à falta de perspectivas. Qual a perspectiva pra juventude pobre e negra hoje?! Pastar em um trabalho mal pago. No Brasil, dados recentes mostram que a maioria dos jovens entre 20 e 29 anos ocupam mais de 60% das vagas das empresas de telemarketing, por exemplo. Esse tipo de emprego paga mal, é sucateado e explora a mão de obra desses jovens. Quem gostaria de com vinte e poucos anos ficar enfiado nesse tipo de emprego?! Morando longe, sem acesso à cultura, o transporte custando o absurdo que custa, o embrutecimento da vida que se leva em São Paulo, enfim, uma série de complicações...

Que não justificam o roubo ou a violência - seja ela simbólica, como a que sofri, ou concreta. No entanto, a totalidade do sistema sempre se mostra visível e repugnante em situações como essa.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Voyeur

"You are either going to walk through life and experience it fully or you're going to be a voyeur. And I'm not a voyeur" - NK

domingo, 9 de setembro de 2012

William e sua silhueta

William e sua silhueta - Eric Rhein
Fazendo uma pesquisa para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade, o famoso TCC, por sorte encontrei a página do museu Leslie-Lohman de Arte Gay e Lésbica. O museu fica em Nova Iorque e, apesar de sua página dizer que este foi o primeiro museu LGBT do mundo, eu tenho as minhas dúvidas. Cidades tão progressistas como Berlim ou Amsterdam também tem seus museus LGBTs com um acervo consolidado e de longa data. Bem, mas isso não é o mais importante.

O legal foi ter descoberto fotógrafas interessantes como Sara Swaty e Catherine Opie, cuja temática de alguns bons trabalhos e exposições explora a questão de gênero, as noções socialmente construídas de masculinidade e feminilidade, assim como a transsexualidade e a transformação do corpo humano. Interessante que hoje mesmo no facebook um daqueles mêmes que rodam a semana dizia:
"Ai, mas travesti não é mulher". E, embaixo, no pé da foto de uma travesti negra da periferia, a resposta: "Travesti é o que quiser, beijos, lide com isso".
De uma forma singela, estava colocado o que essas fotógrafas tentam trabalhar com a imagem: o fato da nossa anatomia não ser um destino, mas uma história. Materia flexível.

Em meio ao gigantesco arquivo do Leslie-Lohman, disponível na internet, achei a foto acima. William and his silhouette, de Eric Rhein. Fiquei delicadamente tocado. Sei que a imagem é simples e sem grandes ápices, mas é justamente essa simplicidade familiar o que me chama atenção. O fato de homens terem sim uma silhueta. O fato do corpo masculino poder sim ser apreciado por sua beleza.

O cotidiano e sua beleza e leveza, tal qual se é hegemonicamente admirado tem sim um gênero, que é o femino - de maneiras não raro objetificantes e alienadas e opressoras. Aqui, nesta imagem o que quero dizer é que vejo o cotidiano real masculino/feminino, humano, colocado de uma forma simples, que a meu ver rompe com uma certa heteronormatividade - afinal essa posição, ou melhor, essa exposição dessa posição de William não é por excelência considerada masculina ou incentivada a ser registrada. O seu destino é  lixo da história hegemonicamente heteronormativa - usando do conceito do Walter Benjamin.

É isso o que me irrompe e me agrada.