terça-feira, 18 de setembro de 2012

Assalto

Voltava para casa, ontem à noite, depois de um prazeroso encontro com a Karina, amiga com quem eu morei junto ano passado e que acaba de chegar no Brasil e fui surpreso. Já estava próximo da minha casa quando, de repente, uma moto em alta velocidade dobra a esquina e vem em direção a mim. Assalto, pensei. Mas não, não pode ser. Dois assaltos em menos de dois meses é demais. Não deu outra. Fui assaltado, nada aconteceu comigo, mas meu celular e minha carteira, com cartão, sem dinheiro - a parte boa de andar sem grana - meu VR e minha carteirinha da USP foram roubados.

Diante da cena e situação concreta, me peguei pensando: o que fazer?! Mudar de casa? Não andar mais sozinho? Não sair mais à noite? Andar de táxi? Nada disso...Mudar de casa, talvez, no ano que vem, porque já não quero mais morar no Butantã. E sim, um dos critérios vai ser escolher um bairro e vizinhança mais agitados, para me sentir mais seguro. A velha máxima do espaço público desocupado que é violento, é verdadeira. Voltar de táxi quando estiver sozinho e for tarde da noite? Talvez...

No entanto, o que me pega é como a questão da segurança está ligada à falta de perspectivas. Qual a perspectiva pra juventude pobre e negra hoje?! Pastar em um trabalho mal pago. No Brasil, dados recentes mostram que a maioria dos jovens entre 20 e 29 anos ocupam mais de 60% das vagas das empresas de telemarketing, por exemplo. Esse tipo de emprego paga mal, é sucateado e explora a mão de obra desses jovens. Quem gostaria de com vinte e poucos anos ficar enfiado nesse tipo de emprego?! Morando longe, sem acesso à cultura, o transporte custando o absurdo que custa, o embrutecimento da vida que se leva em São Paulo, enfim, uma série de complicações...

Que não justificam o roubo ou a violência - seja ela simbólica, como a que sofri, ou concreta. No entanto, a totalidade do sistema sempre se mostra visível e repugnante em situações como essa.

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