domingo, 9 de setembro de 2012

William e sua silhueta

William e sua silhueta - Eric Rhein
Fazendo uma pesquisa para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade, o famoso TCC, por sorte encontrei a página do museu Leslie-Lohman de Arte Gay e Lésbica. O museu fica em Nova Iorque e, apesar de sua página dizer que este foi o primeiro museu LGBT do mundo, eu tenho as minhas dúvidas. Cidades tão progressistas como Berlim ou Amsterdam também tem seus museus LGBTs com um acervo consolidado e de longa data. Bem, mas isso não é o mais importante.

O legal foi ter descoberto fotógrafas interessantes como Sara Swaty e Catherine Opie, cuja temática de alguns bons trabalhos e exposições explora a questão de gênero, as noções socialmente construídas de masculinidade e feminilidade, assim como a transsexualidade e a transformação do corpo humano. Interessante que hoje mesmo no facebook um daqueles mêmes que rodam a semana dizia:
"Ai, mas travesti não é mulher". E, embaixo, no pé da foto de uma travesti negra da periferia, a resposta: "Travesti é o que quiser, beijos, lide com isso".
De uma forma singela, estava colocado o que essas fotógrafas tentam trabalhar com a imagem: o fato da nossa anatomia não ser um destino, mas uma história. Materia flexível.

Em meio ao gigantesco arquivo do Leslie-Lohman, disponível na internet, achei a foto acima. William and his silhouette, de Eric Rhein. Fiquei delicadamente tocado. Sei que a imagem é simples e sem grandes ápices, mas é justamente essa simplicidade familiar o que me chama atenção. O fato de homens terem sim uma silhueta. O fato do corpo masculino poder sim ser apreciado por sua beleza.

O cotidiano e sua beleza e leveza, tal qual se é hegemonicamente admirado tem sim um gênero, que é o femino - de maneiras não raro objetificantes e alienadas e opressoras. Aqui, nesta imagem o que quero dizer é que vejo o cotidiano real masculino/feminino, humano, colocado de uma forma simples, que a meu ver rompe com uma certa heteronormatividade - afinal essa posição, ou melhor, essa exposição dessa posição de William não é por excelência considerada masculina ou incentivada a ser registrada. O seu destino é  lixo da história hegemonicamente heteronormativa - usando do conceito do Walter Benjamin.

É isso o que me irrompe e me agrada.

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